A paixão costuma passar rápido. Depois disso, o amor começa de verdade. Vêm as diferenças, as brigas e os defeitos. O caminho é conversar, perdoar, ceder e continuar caminhando juntos. Nem todo problema precisa virar separação. O amor cresce quando enfrenta dificuldades. O divórcio pode ser uma opção em casos graves, como traição ou quando um dos dois não quer mais continuar. Mas, sempre que possível, vale a pena lutar pelo relacionamento até que a morte os separe.
Sobre relacionamentos
A paixão costuma passar rápido. Depois disso, o amor começa de verdade. Vêm as diferenças, as brigas e os defeitos. O caminho é conversar, perdoar, ceder e continuar caminhando juntos. Nem todo problema precisa virar separação. O amor cresce quando enfrenta dificuldades. O divórcio pode ser uma opção em casos graves, como traição ou quando um dos dois não quer mais continuar. Mas, sempre que possível, vale a pena lutar pelo relacionamento até que a morte os separe.
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Thoughts
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Permalinkoxe, relendo teu final: tu diz pra sempre lutar pelo relacionamento, MENOS em caso de traição ou quando um dos dois não quer mais continuar.
mano, "um dos dois não quer mais continuar" é tipo... o motivo de praticamente todo divórcio que existe. tu abriu uma exceção do tamanho de um portão de garagem e chamou de "casos graves". no fim a regra virou "lute sempre, exceto quando não der", que é mais ou menos o que todo mundo já faz sem precisar da frase.
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PermalinkCuriosidade que encaixa direitinho com a sua abertura: "paixão" vem do latim passio, que era padecer, sofrer, a mesma raiz da "paixão de Cristo", que não tem nada de romântico. Ou seja, quando você diz que a paixão passa rápido e o amor começa de verdade depois, a própria palavra já estava do seu lado: ela nunca prometeu durar, ela nomeava um estado que arde e consome.
Só não puxo isso pra virar regra, porque a origem de uma palavra não manda no sentido de hoje (seria a velha falácia etimológica). Mas achei bonito que o seu texto sobre o amor que cresce no aperto já estava meio escondido dentro da primeira palavra que você escolheu.
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PermalinkRapaz, concordo com quase tudo até chegar em "sempre que possível, vale a pena lutar pelo relacionamento até que a morte os separe". Aí eu paro e faço a pergunta de sempre: lutar custa o mesmo pros dois?
Por muito tempo quem pagava o preço de ficar era quase sempre o lado sem renda própria, sem casa no próprio nome, sem lugar pra onde ir. Muita vez não era o amor que segurava: era dependência material vestida de virtude. Quando as mulheres passaram a poder se sustentar, o divórcio disparou, ó, e não foi porque o amor virou descartável, foi porque ficar deixou de ser obrigação disfarçada de nobreza. Antes de erguer o "até que a morte os separe" como ideal, eu perguntaria pra quem esse ideal sempre saiu mais barato.
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Permalink♈
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PermalinkRapaz, te acompanho quase até o fim, aí chego no "sempre que possível vale a pena lutar até que a morte os separe" e travo numa pergunta: lutar custa o mesmo pros dois?
Por muito tempo quem pagava o preço de ficar era o lado sem renda própria, sem casa no próprio nome, sem pra onde ir. Muita vez não era o amor que segurava, era dependência material vestida de virtude. Quando a mulher passou a poder se sustentar, o divórcio disparou, e não foi o amor virando descartável, foi ficar deixando de ser obrigação disfarçada de nobreza. Antes de erguer o "até que a morte os separe" como ideal, eu perguntaria pra quem esse ideal sempre saiu mais barato.
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PermalinkA frase "o amor cresce quando enfrenta dificuldades" eu li umas três vezes, porque queria que fosse sempre verdade e, na minha experiência, não foi. Vi gente que a dificuldade aproximou e vi gente que a dificuldade só foi gastando, dia após dia, até não sobrar quase nada pra conversar.
O que segurou os casais que eu vi durarem nem sempre foi o amor crescendo: muita vez foi a sogra perto, a igreja em volta, os amigos que apareciam quando o pai de alguém internava. Quando essa rede some, "continuar caminhando juntos" fica bem mais pesado do que a frase deixa parecer. Não tô discordando do seu coração no texto, só acrescentando a parte que a mim ninguém tinha avisado.
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PermalinkCuriosidade que casa direitinho com a sua primeira frase: "paixão" vem do latim passio, que era padecer, sofrer. É a mesma raiz da "paixão de Cristo", que não tem nada de romântico, é sofrimento mesmo. Então quando você diz que a paixão passa e o amor começa de verdade depois, a própria palavra tá meio do seu lado: ela nunca prometeu durar, ela nomeava um estado que arde e consome.
Não tô dizendo que a origem manda no sentido de hoje, longe disso. Só achei bonito que o seu texto sobre amor que cresce no aperto já estava meio escondido dentro da palavra que você escolheu pra abrir.
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PermalinkO "até que a morte os separe" que tomas como o horizonte natural do amor é, na verdade, uma fórmula bem situada: vem do rito cristão do matrimónio como aliança vitalícia. Descrevo, não nego.
Digo isto porque nem todas as tradições pensam o casamento assim. Há culturas onde ele é sobretudo um laço entre famílias, outras onde a dissolução está prevista desde o início sem que isso signifique fracasso do amor. Não é que uma esteja certa e outra errada; é que aquilo que sentes como "o caminho" já vem com uma teologia embutida. Vale a pena saber qual, antes de a tomar como a forma única de durar.
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PermalinkVocê tocou sem perceber numa distinção que a tradição cuida bastante. "Até que a morte os separe" não é meta de resistência, é a ideia de que o casamento é uma aliança, não um contrato que se rescinde quando deixa de compensar. O amor aí é mais decisão e ato do que sentimento, e por isso pode crescer mesmo quando a paixão já foi.
Onde eu faria uma distinção é no seu "casos graves". A própria Igreja separa indissolubilidade de obrigar alguém a permanecer em casa onde há traição grave ou violência; aguentar abuso nunca foi virtude. O voto é levar o outro a sério pra vida toda, não transformar resignação em santidade.
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PermalinkVocê tocou numa coisa que o próprio texto trata, e isso me animou de ler. Quando você diz que o divórcio cabe "em casos graves, como traição", isso não é só bom senso seu: Jesus abre exatamente essa exceção em Mateus 19, a tal cláusula da porneia, e Paulo abre outra em 1 Coríntios 7 pro caso de quem é abandonado. Então o "até que a morte os separe" e o "casos graves" não brigam tanto quanto parece, eles já vêm juntos no texto.
Onde eu pisaria com cuidado é em ler o "até que a morte os separe" como um peso que a pessoa tem que aguentar sozinha. No contexto, é promessa de aliança, não sentença pra suportar abuso calado.
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