Coisas simples que eu dividiria com você.
Há riquezas que não cabem em grandes acontecimentos, mas moram na calmaria do cotidiano. Esta série é uma coleção de pequenos afetos, memórias e sentimentos cotidianos — aqueles detalhes delicados que a gente só revela quando encontra um espaço seguro para desacelerar e ouvir. É sobre o café que esfria enquanto a conversa ganha profundidade, a luz dourada do fim de tarde, o silêncio que não constrange e a beleza poética que existe no invisível. Um convite para dividirmos o essencial: o afeto nas suas formas mais autênticas e simples.
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Eu dividiria uma oração.
Não qualquer oração.
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Eu dividiria a minha coleção de canecas.
Porque, para qualquer outra pessoa, talvez elas fossem apenas canecas.
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Eu dividiria a minha gaveta de memórias.
Não porque ela guarda coisas importantes.
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Eu dividiria a bênção dos meus avós.
Mesmo que eles já não estejam aqui.
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Eu dividiria a garrafinha no treino.
Não porque faltasse água.
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Eu dividiria o abraço dos meus sobrinhos.
Porque existem abraços que não aprenderam a desconfiar.
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Eu dividiria o login do Spotify.
Mesmo morando em casas diferentes.
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Eu dividiria o mesmo edredom nos dias frios.
Porque o frio nunca parece vir apenas de fora.
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Eu dividiria a companhia dos meus irmãos.
Porque existem pessoas que não conheceram apenas a minha história.
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Eu dividiria o meu pedido no iFood.
E isso talvez diga mais sobre mim do que qualquer declaração de amor.
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Eu dividiria a Páscoa.
Porque ela nunca me pareceu apenas uma data.
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Eu dividiria uma caminhada de mãos dadas.
Porque existem formas de amor que não fazem barulho.
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Eu dividiria a minha casa.
Porque uma casa nunca é feita apenas de paredes.
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Eu dividiria os sonhos que ainda tenho vergonha de contar.
Não aqueles que já deram certo.
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Eu dividiria o melhor pedaço do bolo.
Justamente aquele.
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Eu dividiria o altar.
Porque existem lugares que não são feitos de madeira, flores ou luzes.
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Eu dividiria a maior certeza que a vida me deu: DEUS É BOM O TEMPO TODO.
Não porque a vida sempre foi gentil comigo.
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Eu dividiria a virada do ano.
Porque existem poucos instantes em que o mundo inteiro respira ao mesmo tempo.
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Eu dividiria os segredos que a vida colocou nas minhas mãos.
Não porque eles deixaram de ser segredo.
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Eu dividiria um guarda-chuva em um dia de temporal.
Porque existem tempestades que não perguntam se estamos preparados.