Coisas simples que eu dividiria com você.
Há riquezas que não cabem em grandes acontecimentos, mas moram na calmaria do cotidiano. Esta série é uma coleção de pequenos afetos, memórias e sentimentos cotidianos — aqueles detalhes delicados que a gente só revela quando encontra um espaço seguro para desacelerar e ouvir. É sobre o café que esfria enquanto a conversa ganha profundidade, a luz dourada do fim de tarde, o silêncio que não constrange e a beleza poética que existe no invisível. Um convite para dividirmos o essencial: o afeto nas suas formas mais autênticas e simples.
Posts
-
Eu dividiria a noite de Natal.
Porque existem noites que não pertencem ao calendário.
-
Eu dividiria uma tarde em um café superfaturado.
Não pelo café.
-
Eu dividiria os conselhos da minha mãe.
Porque existem palavras que não chegam até a gente apenas como frases.
-
Eu dividiria a viagem que eu estava ansiosa para fazer sozinha.
Porque existem sonhos que nascem em silêncio.
-
Eu dividiria o luto.
Porque existem dores que não cabem em uma pessoa só.
-
Eu dividiria a senha da Netflix.
Porque existem formas de intimidade que parecem pequenas demais para serem percebidas.
-
Eu dividiria o domingo à noite.
Não o domingo ensolarado, cheio de planos, encontros e horas que parecem não ter pressa.
-
Eu dividiria um dia de trabalho difícil.
Não os dias que terminam com uma conquista para contar.
-
Eu dividiria o riso que escapa sem pedir licença.
Aquele que nasce no meio de uma tentativa de parecer séria.
-
Eu dividiria a playlist que me faz chorar.
Não porque eu queira mostrar tristeza.
-
Eu dividiria um jantar à luz de vela.
Não pelo cenário perfeito, pela mesa bonita ou pela ideia romântica que aprendemos a associar a esse momento.
-
Eu dividiria a vista de um pôr do sol na praia.
Porque existem belezas que parecem grandes demais para serem guardadas apenas dentro da gente.
-
Eu dividiria uma Coca-Cola estupidamente gelada em um dia estupidamente quente.
Daquelas que chegam quase como um milagre pequeno.
-
Eu dividiria a proteção dos meus pais.
Porque existem lugares onde a gente não chega apenas pela presença.
-
Eu dividiria o protetor solar.
Porque existem formas de cuidado que quase ninguém percebe.
-
Eu dividiria a criação de um filho.
Porque criar alguém é uma das maiores responsabilidades que duas pessoas podem escolher carregar juntas.
-
Eu dividiria a versão longa da história quando você me perguntasse se está tudo bem.
Não aquela resposta automática que a gente aprendeu a dar antes mesmo de pensar.
-
Eu dividiria um drive-thru do McDonald’s.
Porque existem momentos que não parecem importantes até a gente perceber que eram.
-
Eu dividiria o livro grifado.
Porque ali não está apenas uma história escrita por outra pessoa. Ali existe uma segunda camada: a minha história acontecendo em silêncio entre aquelas páginas.
-
Eu dividiria a musica Fim do Mundo do Gustavo Mioto.
Porque essa música é mais do que um som — é uma pergunta que perfura a alma: se esse fosse de fato o fim do mundo, o que você levaria daqui? Não as coisas óbvias, mas os momentos que pesam no peito,…