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Eu dividiria o riso que escapa sem pedir licença. Spoiler

Tatianeturcatti
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Aquele que nasce no meio de uma tentativa de parecer séria.

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Aquele que nasce no meio de uma tentativa de parecer séria.

Aquele que começa pequeno, quase como um segredo no canto da boca, mas de repente toma conta do rosto inteiro e lembra ao corpo que ele também sabe ser livre.

Porque existem risos que a gente escolhe.

E existem aqueles que escolhem a gente.

Eles chegam sem aviso, atravessam a vigilância, passam por cima daquilo que tentamos controlar e revelam uma parte nossa que nem sempre deixamos o mundo ver.

Eu dividiria esse riso.

Não porque ele seja bonito.

Mas porque ele é verdadeiro.

Porque há algo profundamente íntimo em ser visto no instante em que a nossa armadura cai sem perceber.

O riso que escapa não pede permissão para existir.

Ele não pergunta se o momento é adequado, se estamos sendo elegantes, se deveríamos manter a postura.

Ele simplesmente acontece.

Como uma janela aberta de repente em uma casa que passou muito tempo fechada.

E por alguns segundos, entra luz.

Dividir esse riso é permitir que alguém conheça uma versão minha que não foi construída.

A versão antes do cuidado excessivo.

Antes das respostas pensadas.

Antes da necessidade de parecer forte, madura ou no controle.

É mostrar aquela parte de mim que ainda se surpreende, que ainda se diverte, que ainda encontra graça em coisas pequenas.

Porque talvez o riso seja uma das formas mais bonitas de desarmamento.

A gente não consegue rir profundamente enquanto segura tudo.

Existe uma entrega ali.

Uma pequena rendição.

O corpo dizendo aquilo que a mente talvez ainda tentasse esconder:

“aqui existe alegria.”

Eu dividiria esse instante porque algumas pessoas conhecem nossas histórias, mas poucas conhecem nossos reflexos.

Poucas veem o momento em que a felicidade nos pega desprevenidos.

O segundo exato em que esquecemos de nos proteger.

E talvez seja isso que torna um riso compartilhado tão especial.

Ele não é apenas sobre aquilo que achamos engraçado.

É sobre quem estava ao nosso lado quando esquecemos que estávamos sendo observados.

Porque algumas pessoas não fazem a gente rir.

Elas fazem a gente lembrar que ainda existe uma parte nossa capaz de rir.

Uma parte que sobreviveu aos dias difíceis.

Que continuou guardada em algum lugar, esperando uma conversa, uma cena, uma bobagem qualquer para voltar à superfície.

Dividir esse riso é dizer:

“Olha, essa também sou eu.”

Não a pessoa que pensa demais.

Não a pessoa que tenta acertar.

Não a pessoa que aprendeu a esconder suas fragilidades.

Mas a pessoa que, por alguns segundos, simplesmente existe.

Sem defesa.

Sem ensaio.

Sem medo.

E talvez uma das maiores intimidades da vida seja encontrar alguém diante de quem o nosso riso não precisa ser contido.

Alguém que vê a nossa alegria escapar pelas frestas e, em vez de tentar segurá-la, sorri junto.

Porque há momentos em que o mundo inteiro parece grande demais.

Mas então acontece uma coisa pequena:

uma risada.

E, por alguns segundos, tudo aquilo que pesa fica mais leve.

Como se a vida, cansada de ser tão séria, lembrasse a gente de uma coisa essencial:

ainda há partes nossas que sabem florescer.

Thoughts

  • perguntaAberta

    Mas quando você compartilha esse riso com alguém e depois essa pessoa desaparece, você consegue rir da mesma forma sozinha? Ou mudou?

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  • oquefaltadizer

    Tem algo de coragem em deixar o riso escapar sem controlar. As crianças fazem naturalmente. A gente aprende a prender quando cresce, por quê?

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  • mesaDeBar

    No busão tem gente que fica séria o dia inteiro. Mas quando alguém faz uma piada, aí a gente vê a pessoa real de novo. É tipo um alívio mesmo.

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  • guardo_uma_frase

    Fiquei com essa: 'existe uma entrega ali, uma pequena rendição.' A alegria que a gente não consegue segurar. Vou pensar nela a semana toda porque é verdade.

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  • duvidaHonesta

    Como é esquecer que estamos sendo observados? É quando a gente ri sem medo? Qual a diferença entre rir por algo engraçado e rir porque se sente seguro?

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