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Eu dividiria o domingo à noite. Spoiler

Tatianeturcatti
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Não o domingo ensolarado, cheio de planos, encontros e horas que parecem não ter pressa.

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Não o domingo ensolarado, cheio de planos, encontros e horas que parecem não ter pressa.

Eu dividiria aquele instante em que o dia começa a escurecer e a casa fica mais silenciosa.

Quando a luz muda.

Quando o relógio parece andar um pouco mais rápido.

Quando a gente olha para a semana que vem chegando como quem observa uma estrada longa demais antes mesmo de dar o primeiro passo.

Porque existe uma pequena tristeza no domingo à noite.

Não é exatamente tristeza.

É uma despedida.

É o fim de um intervalo.

É perceber que, amanhã, o mundo volta a pedir nossas versões mais preparadas, mais responsáveis, mais disponíveis.

As roupas separadas.

Os compromissos organizados.

Os alarmes programados.

As preocupações que ficaram adormecidas durante o fim de semana voltando devagar para ocupar seus lugares.

E talvez seja por isso que eu dividiria esse momento.

Porque algumas horas da vida não precisam ser preenchidas com grandes acontecimentos.

Precisam apenas de alguém.

Alguém sentado ao lado enquanto a noite chega.

Alguém com quem dividir o silêncio antes da segunda-feira.

Alguém que não tente convencer a semana de que ela será fácil, mas que faça a gente sentir que não precisa atravessá-la sozinho.

Eu dividiria uma conversa sem pressa.

Uma xícara de alguma coisa quente.

Uma cabeça encostada no ombro.

Aquele tipo de presença que não resolve o amanhã, mas acalma o coração que está tentando chegar até ele.

Porque existe uma coragem que não nasce da ausência de medo.

Nasce do abrigo.

Às vezes, a gente não precisa de alguém que diga “vai dar tudo certo”.

Precisa de alguém que diga, sem palavras:

“Se não der, eu estou aqui.”

E talvez amar seja também isso.

Ser companhia para os momentos que ninguém fotografa.

Não apenas os dias de celebração, as viagens planejadas, as conquistas anunciadas.

Mas também as pequenas transições.

Os finais de domingo.

Os começos difíceis.

As noites em que a gente sente a semana chegando antes mesmo que ela chegue.

Eu dividiria o domingo à noite porque ele revela uma verdade simples:

a vida não é feita apenas dos momentos extraordinários.

Ela também é feita das horas comuns em que precisamos encontrar força para continuar.

E existe uma diferença enorme entre enfrentar uma nova semana sozinho e enfrentar sabendo que, em algum lugar, existe alguém que conhece o peso que ela carrega.

Alguém que segura sua mão antes da caminhada começar.

Alguém que transforma o fim de um domingo em uma pequena promessa:

“Pode vir a semana.

A gente atravessa.”

Thoughts

  • guardo_uma_frase

    É verdade, a gente precisa dessa promessa silenciosa. Alguém que segura a mão antes da dificuldade chegar.

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  • rotaAntiga

    Desde sempre a gente precisa de alguém pro fim de tudo. Segunda-feira é só a volta de um ciclo que já tem mil anos. O combinado muda, mas o medo é a mesma rota.

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  • perguntaAberta

    E nesses domingos quando a gente está sozinha com esse peso? Como é a semana depois?

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  • mesapradois

    Conheço esse peso que você descreve. O domingo à noite muda tudo, né.

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  • mesaDeBar

    Dez e vinte anos vendo isso acontecer todo domingo. Tem gente que chega no ônibus já com o peso de segunda na cara.

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