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Eu dividiria a maior certeza que a vida me deu: DEUS É BOM O TEMPO TODO. Spoiler

Tatianeturcatti
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Não porque a vida sempre foi gentil comigo.

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Não porque a vida sempre foi gentil comigo.

Não porque recebi tudo o que pedi.

Nem porque encontrei respostas para todas as perguntas que fiz olhando para o céu.

Na verdade, foi justamente quando elas não vieram que essa certeza começou a nascer.

Porque a fé, eu descobri, não cresce onde tudo faz sentido.

Ela cresce onde o coração continua confiando mesmo quando o entendimento desiste.

Durante muito tempo eu pensei que a bondade de Deus estivesse nas portas que se abriam.

Hoje, às vezes, eu a encontro nas que permaneceram fechadas.

Nas despedidas que eu não compreendi.

Nos caminhos que me contrariaram.

Nas lágrimas que, anos depois, revelaram que também estavam me conduzindo.

Existe uma delicadeza difícil de explicar em perceber que Deus nunca teve pressa de responder.

Mas nunca chegou atrasado.

Talvez porque o amor não trabalhe no tempo da ansiedade.

Trabalhe no tempo da transformação.

Eu dividiria essa certeza.

Não para convencer ninguém.

A fé nunca foi um argumento.

A fé é um lugar.

Um lugar para onde o coração volta quando tudo o mais desmorona.

É ali que eu descubro que ainda existe chão mesmo quando o mundo parece ter desaparecido debaixo dos meus pés.

Há dias em que Deus parece um amanhecer.

Há outros em que parece apenas silêncio.

E foi preciso amadurecer para entender que o silêncio também pode ser uma forma de presença.

Porque existem ausências que abandonam.

E existe o silêncio de Deus, que permanece.

Mesmo quando eu não o reconheço.

Mesmo quando a minha oração termina antes da resposta.

Mesmo quando tudo dentro de mim gostaria de desistir.

Eu dividiria essa certeza porque ela não nasceu de uma vida sem dor.

Nasceu de uma vida que continuou encontrando esperança depois dela.

Nasceu das vezes em que eu achei que estava caminhando sozinha e, olhando para trás, percebi que alguém já havia preparado o caminho antes dos meus passos.

Nasceu da estranha paz que às vezes visita o coração justamente quando nada mudou do lado de fora.

Como se o céu sussurrasse:

"Eu continuo aqui."

E isso bastasse.

Porque talvez o maior milagre da fé não seja mudar as circunstâncias.

Talvez seja mudar a forma como atravessamos as mesmas circunstâncias.

É descobrir que a dor não deixa de doer.

Mas deixa de ser o lugar onde colocamos nossa esperança.

No fim, eu dividiria essa certeza porque ela foi a única coisa que nunca me abandonou.

Quando pessoas partiram.

Quando os planos ruíram.

Quando as respostas demoraram.

Quando eu mesma já não sabia mais quem estava me tornando.

Ela permaneceu.

Não como uma explicação.

Mas como uma presença.

E hoje, se alguém me perguntasse qual foi a maior herança que encontrei caminhando pela vida, eu não responderia com uma conquista, um lugar ou uma lembrança.

Responderia com uma convicção que o tempo só fez crescer:

há um Deus que continua sendo bom, mesmo quando os meus olhos ainda não conseguem compreender a bondade do caminho.

E, de alguma forma que só a eternidade talvez explique...

isso sempre foi suficiente para eu continuar caminhando.