Às vezes, a automutilação parece oferecer alguns minutos de alívio quando a dor emocional se torna grande demais para ser suportada. A dor física pode desviar a atenção do sofrimento interno e produzir uma sensação passageira de controle ou de interrupção daquele caos. Mas esse alívio não significa que a automutilação seja uma solução; significa que existe uma dor que está pedindo outra forma de ser expressa e cuidada.
É importante não romantizar nem normalizar esse comportamento. Mesmo quando traz alívio imediato, ele pode causar ferimentos, aumentar a culpa e reforçar um ciclo cada vez mais difícil de interromper. O sofrimento é real, mas o corpo não precisa ser o lugar onde ele seja depositado. Procurar ajuda, falar sobre o que está acontecendo e aprender outras formas de atravessar a crise são maneiras de cuidar dessa dor sem transformar o próprio corpo em seu alvo.
Comportamentos perigosos também são uma forma de ferimento, mesmo quando não deixam marcas visíveis ou não são reconhecidos imediatamente como automutilação. Colocar-se em situações de risco, usar substâncias de maneira prejudicial ou agir de modo a provocar acidentes pode expressar uma dor profunda e colocar a vida em perigo. Esses sinais merecem ser levados a sério e acolhidos com cuidado, sem julgamentos, para que seja possível buscar apoio e proteção mas de quem?