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C 009 Grupo de WhatsApp de escola infantil

BELADIA
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Tenho duas crianças menores de oito anos, e a mais velha já passou por cinco escolas diferentes, em três cidades diferentes. E eu, por tabela, por alguns grupos de pais de WhatsApp.

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 Tenho duas crianças menores de oito anos, e a mais velha já passou por cinco escolas diferentes, em três cidades diferentes. E eu, por tabela, por alguns grupos de pais de WhatsApp.

Lembro-me do que a minha mãe dizia quando eu era adolescente e começava a reclamar da vida. Ela sempre repetia um ditado: "Você quer saber o que é sofrimento? Vai ser voluntária num hospital de câncer, ficar perto de alguém doente, aí sim você vai ter do que realmente reclamar". Sinceramente, sempre me questionava: por que tenho que ficar perto de alguém em uma situação pior que a minha para me sentir melhor?

Pois bem, veio a maternidade, o materna. E essa frase da minha mãe me vem sempre à memória quando penso nos grupos de pais da educação infantil. Como, ao ser mãe, a nossa sanidade mental fica questionável, estar em um grupo com pessoas com o nível de loucura igual ou pior que o meu traz um sentimento bastante reconfortante, quase uma felicidade por saber que não sou só eu.

Chegamos a uma fase da vida em que encontrar outra pessoa precisando de um CAPS — Centro de Atenção Psicossocial (o serviço gratuito do SUS voltado para o atendimento de pessoas com sofrimento psíquico ou transtornos mentais graves) — nos deixa, internamente, menos solitárias e mais felizes por estarmos em grupo. Todas têm essa consciência de insanidade? Provavelmente não. Todas fazem ou procuram tratamento? Também não. Inclusive eu: se tenho diagnóstico, não; se acho que preciso, sim. Mas, enfim, o bom é não estarmos sozinhas no mundo. E o que percebemos, quando começamos a conversar e entender a dinâmica do outro, é que não estamos sós em grupos de redes sociais.

Às sete da manhã, o barulho do aplicativo anuncia uma mensagem, duas, três, quatro mensagens seguidas. É uma mãe reclamando que a filha tem tarefa e a professora não mandou lápis, borracha, cola e lápis de cor. Como ela faria a tarefa se não tinha isso na mochila? Eram oito horas da manhã, e ela teria que sair do apartamento para comprar ou deixar a filha sem fazer a lição. E continua reclamando do porquê de a escola ser tão desorganizada: afinal, quem é que tem esse tipo de coisa em casa?

— Se vão enviar tarefa, têm que enviar o que a criança precisa para fazer — questiona a mãe no seu desabafo.

A professora enviou um pedido há dois meses para fazer uma maquete de uma casa. Aí, a mãe narcisista perfeita envia fotos na noite anterior à entrega: fez um lindo sobrado, com piscina de água real e luz de verdade. Parece mais algo feito por um arquiteto, daquelas maquetes que ficam em estandes de vendas de apartamentos. E acompanha a frase: "Olha, gente, tinha esquecido do trabalhinho, fiz na pressa. Como sou tão descuidada! Fiz agora à noite, em duas horas. Olha como ficou feio, mas prometo que na próxima vou fazer algo realmente bom". Eu olho aquilo e penso: "Tá bom que ela fez em duas horas. Ah, tá bom que ela fez na pressa um sobrado com luz e piscina de verdade em duas horas... Mas nunca na vida!". E aí começa o show: pais enviando vídeos das maquetes, que mais parecem uma exposição profissional, e todos dizendo: "Também fiz às pressas, na correria". E eu ali, com dois pedaços de papelão, tentando colar para fazer uma casinha porque realmente tinha esquecido do prazo e do trabalho.

Nas festas organizadas na sala de aula — dia do piquenique, dia da primavera, dia do amigo —, sempre aparece no aplicativo a mensagem da mãe organizada e prática: "Bom dia, pessoal! Terá uma festinha na sala. Conheço fulana, que entrega doces, salgados e sucos na escola. Vamos juntas dividir o valor e, assim, alguém já leva direto pra sala os comes e bebes". ISSO É MARAVILHOSO! Eu amo essa mãe organizada e prática que resolve o próprio problema e o dos outros, pois me tira da correria de ter que sair mais cedo, passar na padaria e comprar algo para levar. Mas sempre tem a mãe "mão de vaca": "Ai, gente, não vou poder dar os dez reais, pois a minha filha não é de comer muito". Você olha no perfil social da mulher e ela passou vinte dias na Flórida com a família de cinco pessoas, gastando em dólar na viagem, mas não contribui com dez reais no rateio. A filha dela nunca leva o lanche e come sempre o dos demais. Como sei desse detalhe? É o que as outras mães falam em conversas privadas quando a bonita avisa no grupo que não vai contribuir.

E tem a mãe separada que as outras excluem. Vai ter uma festa de aniversário de uma menina e a família convidou apenas as meninas da sala. Aparece a mensagem no grupo: "Vai ter a festa da fulana, quem vai?" — já expondo para o grupo todo. E todas as mães começam: "A minha vai", "A minha também".

— Pois então, por que só a filha dela não foi convidada? As crianças têm quatro anos — reclama a mãe pelas mensagens.

A mãe da aniversariante, toda envergonhada, tenta se desculpar: "Nossa, eu esqueci da sua filha. Que cabeça a minha, ando tão esquecida! Ela pode ir, sim. Só pede para o pai levar". A mãe da que não foi convidada responde: "Não, ela não vai onde não é bem-vinda. Se você quisesse realmente convidar, teria convidado antes... Só queria saber quem ia” disseminando a discórdia no grupo.

Por fim, me compadeço da mãe solteira e não quero enviar a minha filha no dia do aniversário: "Não quero levar. Se você quiser, você leva". Mas meu marido insiste: "A nossa filha faz terapia para socializar. Se ela foi convidada, ela vai". E ele foi. Não foi autorizado a entrar na festa; teve que ficar no estacionamento esperando a nossa filha. Não era uma festa exclusivamente infantil, mas apenas as crianças da escola eram as convidadas e os acompanhantes tinham que esperar no estacionamento ou voltar dali a duas horas. Era uma casa de festas de alto padrão no centro da cidade. Das meninas da sala convidadas, adivinhem? Só a minha filha compareceu.

E tem a mãe que envia áudios gritando no grupo, ameaçando outros pais: "Olha, fulano e sicrano, o pai da minha filha foi buscá-la na escola e ela chegou agora em casa. Ela veio com um hematoma de novo. É a segunda e última vez que isso acontece! É a última vez! Se vocês, como pais, não educam, o mesmo que seu filho fizer com a minha filha eu vou fazer com vocês! Ela não sabe se defender, mas ela tem mãe e pai. A partir de hoje, se ela levar soco na barriga ou no rosto, vocês vão levar também! Eu vou bater em vocês como o seu filho bate na minha!".

E essa mãe raivosa e louca nos áudios do grupo sou eu, claramente ignorando que o pai do menino é servidor da segurança pública do estado, de alta patente, e a mãe é fortona e crossfiteira. Eles devem ter me visto algumas vezes indo buscar a minha filha com um recém-nascido no colo, de roupão, cabelo amarrado num coque na cabeça e um Crocs nos pés. Isso deve ter dado medo neles, pois nunca mais a minha filha apanhou do menino na escola.

Tem também a mãe que envia o link do TikTok pessoal dela porque está em processo de separação e fez uma conta na rede social apenas para desabafar e falar mal do ex. Se eu julgo? Eu não julgo, até gosto dos vídeos dela. Se eu faria o mesmo? Não sei responder, talvez sim. Por isso, vou manter a minha conta com um pseudônimo. Ainda não estou com tanta coragem (ou loucura) assim para enviar o link das crônicas que escrevo, para os grupos do whatsapp e redes sociais.

Assim, a gente vai medindo a sanidade sem se expor (risos) e deixando a vida de outra mãe mais feliz: você não está sozinha nesse mundo de loucos!

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