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C 20 : Dente de Leite, Dinheiro e Economia

BELADIA
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Uma manhã como tantas outras: caos na casa. Muitas coisas jogadas pelo chão — bolsas, sapatos, meias, cobertores, brinquedos. Uma casa típica de família com duas crianças, de seis e quatro anos, que…

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Uma manhã como tantas outras: caos na casa. Muitas coisas jogadas pelo chão — bolsas, sapatos, meias, cobertores, brinquedos. Uma casa típica de família com duas crianças, de seis e quatro anos, que brincam e correm livremente.

Bela é uma menina loira de olhos azuis, inteligente, meiga e decidida. Está na fase de trocar os dentes de leite pelos permanentes. Já estava há três meses com um dente mole, balançando para lá e para cá, mas que não caía. Observei, à noite, que o dente estava começando a ficar escuro em suas bordas.

— Amanhã vamos amarrar um fio dental e vamos puxar o dente, porque ele já está mole há muito tempo. Acho que agora precisamos puxar com a cordinha — eu disse.

Bela, meio assustada, respondeu que não queria, que o dente iria cair sozinho, e começou a chorar. Fomos dormir.

Pela manhã, logo após o café, falei:

— Vá pegar o fio dental, vamos amarrar o dente.

Ela começou a chorar, e eu a acalmei:

— Não vai doer, ele já está caindo. Está bem mole, vou amarrar e você puxa.

Ela assentiu e foi pegar o fio dental. Deitou no sofá, abriu a boca e eu amarrei o fio. Ela tentou puxar, mas, com medo, não fez força. Pedi para ver se eu poderia puxar. Ela assentiu. Peguei o fio dental, dei um único puxão e o dente caiu de sua boca.

Ela chorou, chorou e chorou muito, por três horas seguidas. Não porque doeu, mas porque achou que iria ficar feia. Na sala de aula, só haveria ela com quatro "janelinhas"; só ela não teria dente na frente. Disse que não queria ir para a escola. Chorou e chorou, mas não por dor.

Perto da hora de ir para a aula, Bela lembrou que poderia vender o dente e quis vendê-lo por cem dólares. Expliquei que aqui a moeda é o real e só temos reais, então ela quis cem reais. Falei para ela ir ao pai e pedir o dinheiro. O pai barganhou e trocou os cem reais por vinte, valor que também foi dado à irmã de quatro anos.

Falei que elas poderiam poupar e guardar o dinheiro.

— O que é poupar? — perguntou Bela.

— É quando a gente guarda dinheiro para comprar algo mais caro e valioso.

 

A resposta da Bela foi rápida:

— Não quero poupar. Se eu precisar de mais dinheiro, eu vendo outro dente para o papai.

No dia seguinte, elas quiseram gastar o dinheiro comprando brinquedos. Nós as levamos à loja. Diana quis uma flauta de dezenove reais e gastou o seu dinheiro. Bela quis comprar um teclado de oitenta e nove reais.

Eu não quis comprar o teclado, na tentativa de ensinar economia e administração financeira para ela. Ela chorou na loja e ficou brava com o pai, porque ele não havia querido comprar o dente por cem reais e, agora, ela não tinha dinheiro suficiente.

Eu, animada em ensinar economia, disse que iria fazer uma tabela de tarefas e pagaria a ela todas as vezes que fizesse uma atividade preestabelecida.

Ela reclamou e disse:

— Eu não quero trabalhar, trabalhar é chato. Quero gastar dinheiro sem trabalhar.

— Mas todo mundo trabalha para ter dinheiro, assim é a vida.

— Mas a vida é chata assim. Eu quero ter dinheiro sem esforço, não quero fazer tarefas.

Fomos a outra loja e encontramos um teclado igual ao que ela queria por vinte e quatro reais. Como o dinheiro dela não daria, o pai completou e pagou a diferença.

Fomos para casa com as duas tocando a flauta e o teclado dentro do carro. Elas estavam felizes.