Eu percebo que, ao longo do tempo, fui mudando na relação com meu filho. Houve momentos em que minhas emoções ficaram maiores do que eu conseguia controlar. Eu podia amar intensamente, mas também me sentir rejeitada, magoada ou com medo de perdê-lo, e essas emoções acabavam interferindo na maneira como eu me relacionava com ele.
O borderline não explica tudo o que aconteceu entre nós, mas me ajuda a compreender algumas das minhas dificuldades. Em determinados momentos, eu reagi a partir da dor, da impulsividade e do medo, quando talvez meu filho precisasse apenas de uma mãe tranquila, segura e presente.
Hoje, olhando para trás, consigo enxergar coisas que antes eu não conseguia. Isso dói, porque percebo que algumas atitudes minhas podem ter afetado meu filho. Mas também entendo que reconhecer isso não precisa significar permanecer presa à culpa.
Eu não posso voltar e ser a mãe que eu gostaria de ter sido naquela época. Posso, porém, aprender a ser uma mãe diferente daqui para frente. Quero que meu filho conheça não apenas a mulher que adoeceu, mas também a mulher que reconheceu seus erros, buscou se reconstruir e nunca deixou de amá-lo.