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A Princesa e o Fábulo

VictorRikelmy
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Capítulo 02 - A Primeira Tentativa

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Capítulo 02 - A Primeira Tentativa

No brejo velho do mundo, onde o sol jamais se insinua,

Há um poço de boca larga, de água escura, fria e nua.

Ali moram ecos, alma pura, dor contínua,

Vozes presa entre musgos, de uma era já extinta – tão antiga quanto a lua.

 

O príncipe seguiu sozinho pela trilha corrompida,

Pisando em lama que engolia a própria sombra, a própria vida...

Ouviu lamentos nas pedras... ouviu gemido, cantiga...

Até que a água lhe chamou com vazia e antiga:

- Quem clama à beira do poço com tão doída visita?

 

O príncipe debruçou-se nas pedras, pedindo por aquilo que necessita:

- Oh dama do poço sem fundo, oh senhora das lágrimas do mundo,

Sou herdeiro de um trono vazio, de reino algum, moribundo.

Marido duma bela senhora, me fez feliz e profundo.

Preciso da fala duma donzela, para enganar meu pai, nem que por um segundo...

 

O poço então suspirou com lenta melancolia,

E deu-lhe uma gota de sombra: voz molhada e quebradia,

Rouca como a de uma dama, mas sem sangue, sem alegria...

O príncipe guardou-a no jarro junto a algas e pedraria,

E voltou ao castelo em silêncio com a sua falsaria.

 

No salão de pedra fria, falou como quem anuncia a aurora:

- Aqui está velha bruxa: a voz da minha senhora!

A bruxa tomou-lhe das mãos o jarro, girando-o com ironia,

Verteu a voz numa tigela cheia de cal e água fria.

E voz, na espuma surgia, fez-se como névoa, se expandia:

- Mãe... irmã... amor... – dizia com doçura, mas sombria...

 

Mas a bruxa, com olhos vidrados, soprou cinzas na alquimia,

Fez o líquido ferver e a voz esmaeceu em gritaria!

Depois, cuspiu ao príncipe estas palavras com tamanha zombaria:

- Isto é voz de mundo morto... lamento de cova sombria,

Não pulsa com sangue vivo, não tem dor, nem poesia!

É lamento de quem se afoga, de quem não ama, só sofria,

Essa voz não é da tua esposa príncipe, não é de quem ainda vivia...

 

A bruxa, então, de entre as ervas e o escuro de seu manto, tirou um frasco escondido,

De vidro grosso e turvo, com o fundo enegrecido.

- Leva isto, rapaz teimoso, pra guardar o que te desafia,

Mas não minta, pois até a esperança vicia.

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