livro (Querida, Sorria!)
Veio à mente de Maraíra a época em que era criança, trazendo de volta o afeto de seu pai ao pegá-la no colo após buscá-la na escola. Por mais que tentasse, ela não conseguia formar a imagem do rosto dele, mas o seu sorriso ressurgia vívido na memória, assim como a lembrança nítida dele sentado à beira de sua cama, lendo uma historinha antes de dormir.
— Pai, não vai. Dorme aqui comigo... — pedia a pequena Maraíra.
— Querida, sorria, não fique triste — ele respondia, com um tom acolhedor. — Eu te amo e nunca vou te deixar. Mas você já vai fazer nove anos, tem que aprender a dormir sozinha.
— Pai, não me deixa...
— Durma, querida, sem medo. Eu nunca vou te deixar.
Ele sorria mais uma vez, dava-lhe um beijo na testa, saía e encostava a porta.
De volta ao presente, enquanto observava a carinhosa interação na casa de dona Francisca, Maraíra se perguntava por que a sua própria mente havia apagado o rosto de seu pai com o passar dos anos, deixando para trás apenas o calor solitário daquele sorriso...