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Capítulo 1

Guilherme_d_Alves
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Zzz... acordo, dessa vez me levanto depressa, me encontro rodeado dos meus colegas desacordados, ou pior, estamos em uma espécie de praia, as ondas quebrando ao mar, pássaros piando ao céu, vejo a…

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Zzz... acordo, dessa vez me levanto depressa, me encontro rodeado dos meus colegas desacordados, ou pior, estamos em uma espécie de praia, as ondas quebrando ao mar, pássaros piando ao céu, vejo a minha frente o ponto em que a areia termina e a floração começa a aparecer, arvores gigantes como eu nunca tinha visto antes, me sinto tentado a entrar nessa floresta mas não me atrevo a ir sozinho, volto meu olhar para meu colegas e rapidamente identifico Bailys inconsciente, duas pessoas estão jogadas por cima dele e me esforço para livra-lo.

-Bailys... Bailys- chamo-o, mas parece ser em vão, ele não mostra sinal algum de que vai acordar, olho seu pulso e sua respiração e confirmo que ele está vivo. Depois disso decido olhar se todos estão bem, infelizmente dois não estão mais vivos, Lira e Eddrin, eu não era próximo deles, mas ver seus corpos mortos me abalou profundamente, estranhamente ninguém está ferido além dos dois, mas não é algo que eu vá reclamar.

Novamente me pego fitando a floresta, algo está me deixando muito curioso para saber o que tem lá, então mesmo sabendo dos riscos eu decido entrar, sozinho e sem nenhum recurso, tenho apenas as roupas em meu corpo, nem mesmo minha mala eu consegui encontrar.

Dez minutos se passaram, ainda estou vagando por entre arvores, seguindo sempre para frente, continuo andando cegamente ate que avisto um coelho saltitando em minha direção, mas, não é um coelho, a pelagem branca, o tamanho, as orelhas, tudo igual a um coelho, mas o rosto, olhos gigantes inteiramente pretos como se olhassem a minha alma, boca cheia de dentes extremamente afiados, o medo tomou meu corpo em segundos, a cada pulo dele meu corpo de tornava mais rígido, ate que surgiu uma voz no meu subconsciente gritando para eu correr.

Eu corri, não sei para qual direção nem por quanto tempo, o medo deixou minhas pernas tremulas, mas eu não as permiti que me derrubarem. Quando percebi estava dentro de uma caverna, olho para traz e não encontro qualquer sinal de vida, isso me acalma um pouco, estou tentado por dois caminhos, voltar e sair da caverna com risco de me deparar com o coelho, ou seguir a fundo na caverna e ter a chance de encontrar com algo pior.

A memoria daquele monstro me fez escolher a segunda opção,  quanto mais avanço mais escura fica o caminho, sigo para a direita, depois sigo em frente, depois sigo um caminho pela esquerda, até que enquanto caminhava, encontrei uma luz em um túnel que seguia pela direita, sigo em direção a luz e encontro uma tocha improvisada jogada ao chão, pego-a e sigo em frente, pinturas estranhas começam a aparecer nas paredes conforme avanço, nenhuma delas me chamou muita atenção, são desenhos muito parecidos com os que eu vi nos livros de história, alguns mostram um homem segurando uma lança, uma vaca, ou ovelha, lutando contra ele, então alguns começam a chamar a minha atenção, mas um principalmente, quanto mais eu o olhava mais eu sentia que o desenho também olhava para mim.

Um triângulo vermelho com uma linha preta inclinada para a direita tudo isso envolto por um círculo vermelho, quando me aproximo, percebo que tanto o triângulo quanto o círculo estão com as tintas frescas, levanto minha mão em busca de tocar na tinta e em poucos segundos o cheiro de sangue invade minhas narinas, normalmente eu recuaria, mas eu estava hipnotizado por esse desenho e sentia a necessidade de tocá-lo.

Ahhh, assim que eu toco no sangue, cortes aparecem pelo meu corpo, um profundo inclinado que divide meu rosto em duas partes, uma no meu calcanhar, duas nas costas, e um no braço esquerdo, gemo de dor enquanto rastejo para longe desse desenho, por algum motivo sinto que esqueci de algo muito importante, algo que não deveria ter sido esquecido. Fecho os olhos aceitando a morte porém quando os abro de novo me vejo a poucos metros da praia em que acordei, vejo meus colegas, uma parte já acordou, percebo que já é noite, meus ferimentos não estão sangrando mais, porém, quando passo a mão pelo rosto noto o desnível que a ferimento deixou, e provavelmente uma horrorosa cicatriz.

Consigo me levantar, não tenho muitas forças, mas nada se compara com quando estava naquela caverna, caminho cambaleando, e, novamente Bailys é o primeiro que vejo, primeiro sua expressão é de felicidade por me ver, mas rapidamente se transformou em pena e uma pequena parte de nojo, ele tentou disfarçar depois, mas eu já consegui a comprovação de que provavelmente estou com uma cicatriz horrível na cara.

-SPES, achava que você tinha morrido, quando acordei fui procurar por você, mas ninguém tinha te visto, temi que você tivesse sido levado pelo mar- Nojo, alegria ou pena? Não, alívio, eu nunca o vi assim, o corpo todo tremendo de desafogo.

-Eu não morreria tão fácil assim- digo tentando projetar um sorriso com meu rosto, Bailys claramente está curioso para saber sobre meu rosto, mas acho que ele não vai perguntar, acho melhor assim, nem eu sei o que aconteceu.

Vejo por entre os ombros de Bailys outro rosto, Kaiser, me olhando como se eu fosse um monstro, bom, talvez eu tenha me tornado, mas esse olhar dele me enche de fúria. Caminho em sua direção sem pensar em o que fazer, só quero que ele pare de me olhar assim.

-O que foi aberração? Sai da minha frente antes que eu tenha que te deixar ainda mais feio do que você já está. - Ouvir isso aumentou ainda mais a raiva no meu corpo, serro meu punho e dou um soco em cheio no rosto dele.

-O que tá acontecendo? – ouço várias pessoas se perguntarem enquanto se amontoam a minha volta.

-Seu merdinha!!! Perdeu a noção, você vai morrer hoje porra! - Kaiser assume uma pose de luta, eu não sei nenhuma, mas tento copiar a dele.

Eu não sou mais forte que ele, mas também não sou fraco, eu tenho uma chance, se eu tiver sorte eu realmente posso ganhar, enquanto penso um soco atinge por entre meus olhos quase me nocauteando, escuto pessoas gritando para parar a briga, e outras a incentivando, me levanto e vejo Krag segurando Bailys quando ele tentou inutilmente acabar com a briga, outra pessoa que vejo é Soller, ela está com uma expressão desapontada, mas por quê? Ele que começou me olhando daquele jeito, Kaiser se prepara para mais um soco, mas dessa vez consigo desviar, tento um chute médio, mas ele segura minha perna e solta um sorriso perturbador, nesse momento eu percebi que a luta acabou, com a mão que estava na minha perna ele me puxa para perto e começa sua sequência de golpes. Um, dois, três, vinte? Não sei, mas contínuo consciente, minha visão está totalmente cegada pelo sangue, não consigo ouvir nada mais além dos impactos dos socos, até que finalmente apaguei.

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