De quando o fim deixa de ser fim
De que valem as primaveras e verões,
Se engolidas pelo mais frio inverno?
De que adianta o paraíso para milhões,
Se tudo há de findar ao maldito inferno?
Por mais que procure, não posso encontrar,
Por mais que encontre, nada posso fazer;
Não há aurora que valha o triste de viver,
Nem voz alguma que me faça despertar.
Dar-se a uma vida que não vale de viver,
Caminhando até o fim sem medo de morrer;
À espera infindável do caronte no cais.
Se tudo quanto nasce há de um dia findar,
Se até aquilo que é eterno há de acabar,
Que é a morte senão um infinito a mais...?