Do encantamento de a ela pertencer
Ela é ela, e eu não sei a explicar
Que há em seu olhar que me condena;
Se é luz, se é fogo, ou se é pena,
Só sei que nela aprendi a contemplar.
E eu sou dela — e quem há de julgar
Que um homem possa amar sem algema?
Se o amor não é prisão, nem é problema,
Por que sinto-me livre ao me entregar?
Talvez não seja dela o que é meu,
Talvez seja de mim aquilo que dou;
Talvez amar seja enfim pertencer.
Mas se perder-me foi o que enfim restou,
Que importa quem sou eu diante o véu,
Se ela é ela - e eu sou dela por querer...?