Eu poderia explicar-te por horas.
Poderia eu admirar-te a vida inteira.
Sentir-me-ia feliz em ver-te e, ainda assim —
Sem poder conhecer-te.
Perder-me-ia em minha própria mente.
Enterrar-me-ia num caixão.
E, após o pôr do sol e o nascer do luar,
Após o renascimento de minha alma —
Tu não tomarias nenhuma decisão.
Acabaria eu por encontrar o caminho,
Num gesto de desespero — por conta do conselheiro,
Que nem se mostra por inteiro,
Retornaria eu à perfeição.
Existiria dentro de mim um eco,
Gritando alto e com ruído —
Sem cansar-se, sem parar,
Sem lembrar-se de liberar-me.
Já a rima de minha memória,
Essa que nem tem mais história,
Foi-se juntamente com a oratória.
Consigo lembrar-me... Um pedaço de meu coração
Separou-se na explosão.
E só na próxima encarnação
Ficarei bem após tocar tua mão.
“Dedico estes versos à pessoa que me fez amar. Vós sois a coisa mais importante que já me ocorreu."
— David Raul.