A dor de perdê-la me faz constatar,
Que o tempo a fez mais um rosto na multidão!
Dela recebo agora, seco sorriso e breve olhar;
Uma torpe e disforme saudação.
É difícil crer que nosso amor não mais existe,
E que seu rosto abriga agora outro ser!
Será que lembras o que dentro de minh'alma vistes?
Atada a ela, prometias, eternamente juntos viver.
Fiz de ti meu sol, e a teu redor orbito,
Mas seu calor não mais sinto!
Frieza emana desse sentimento apagado,
E, sem expressão, o amor segue silenciado.
Mas olho esse astro com especial atenção,
Pois seu calor era real e, com força me aqueceu!
Esperança ainda guardo, sem nenhuma restrição,
De novamente me arrolar no abraço teu.
Me é difícil deixar de a ti orbitar!
Impossível decretar o fim de tua grandeza;
A inexpressividade tua e a ação de me ignorar,
Não me impede de crer que o amor ainda seja certeza!
Aceitar nosso fim como verdade,
É decretar que o sentimento de fato morreu;
Mas não vou lançar na saudade,
A vida que, em mim, você reacendeu.
Como abandonar esse elemento,
Que de parâmetro máximo me serve,
Para enxergar o amor de modo atento,
Demonstrado nesse sentimento breve?
Diante da tua indiferença demonstrada,
E de já viveres em outra história;
Fecho os olhos e idealizo outra estrada,
Onde nosso amor recobra a memória!
A qual dor deveria me entregar?
A solidão que arde?
A indiferença carregada de pesar?
A ilusão travestida de realidade?
Eu sei que o amor entre nós aconteceu,
E nossa história foi, no tempo, escrita e guardada,
É por isso que não abro mão do amor teu,
E nossa trama jamais será apagada.
Melhor é por amor sofrer, do que à indiferença se entregar;
Para morrer basta nascer, para sofrer basta amar!
Mas espero a felicidade rever, e nosso amor reencontrar!