Que maldição é esta,
a do poeta?
De sempre ser o poeta
e nunca a poesia?
De encontrar beleza
nas mais horríveis criaturas,
de enxergar flores
onde todos só veem espinhos,
e acabar se apaixonando
justamente pelos piores.
Então o poeta escreve.
Transforma suas dores em versos,
seus amores em poesia,
e aqueles que o machucaram
nas mais belas artes
que suas mãos poderiam criar.
Talvez seja essa a maldição:
o poeta nunca fica
com sua própria poesia.
Fica apenas
com a lembrança
daquilo que poderiam ter sido.
Às vezes,
eu não queria ser poeta.
Queria ser poesia.
Queria ser aquela pessoa
que alguém olha
e decide transformar em versos.
Queria ser a inspiração,
o motivo de uma página,
a razão de alguém escrever
sobre amor.
Mas, infelizmente,
a maldição do poeta
é sempre ser o artista
e nunca ser a arte.