Agora que o sol voltou,
por poucos dias talvez,
pergunto-me o que minhas palavras
precisam dizer por mim.
Agora que não há mais chuva,
os dias estão quentes em seu fulgor
e eu sinto-me breve,
breve na escrita,
breve na verdade que habita em mim.
E quantas verdades deixei de dizer
para ouvidos que não poderiam compreender?
Qual profecia não vi concretizar?
Estou tentando mais uma vez
ser algo bonito para minha
noite estrelada,
para meu navio naufragado,
que ainda navega de alguma forma,
assim como eu,
que mesmo naufragada
cheguei até aqui
e desembarquei minha poesia em um livro.
Mas, de alguma forma,
eu não tenho mais o peso de um papel.
De alguma forma,
já não é possível me segurar
nas palmas das mãos.
Pois minha profecia
foi concretizada.
E eu sigo viva,
mesmo naufragada.