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Profecia

LairaLatsch
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Agora que o sol voltou, por poucos dias talvez, pergunto-me o que minhas palavras precisam dizer por mim.

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malaExtraviada

Pelo jeito o livro saiu mesmo, e o poema é o depois dele, quando a coisa já não está mais nas mãos de quem escreveu. Bah, deve dar uma leveza estranha.

Pelo jeito o livro saiu mesmo, e o poema é o depois dele, quando a coisa já não está mais nas mãos de quem escreveu. Bah, deve dar uma leveza estranha.

Conteúdo da publicação

Agora que o sol voltou,
por poucos dias talvez,
pergunto-me o que minhas palavras
precisam dizer por mim.

Agora que não há mais chuva,
os dias estão quentes em seu fulgor
e eu sinto-me breve,
breve na escrita,

breve na verdade que habita em mim.
E quantas verdades deixei de dizer
para ouvidos que não poderiam compreender?
Qual profecia não vi concretizar?

Estou tentando mais uma vez
ser algo bonito para minha
noite estrelada,
para meu navio naufragado,

que ainda navega de alguma forma,
assim como eu,
que mesmo naufragada
cheguei até aqui
e desembarquei minha poesia em um livro.

Mas, de alguma forma,
eu não tenho mais o peso de um papel.
De alguma forma,
já não é possível me segurar
nas palmas das mãos.

Pois minha profecia
foi concretizada.

E eu sigo viva,
mesmo naufragada.


Thoughts

  • Rui_Salgueiro

    Esse livro onde desembarcaste a poesia já está publicado?

    Permalink
  • Ovid

    Um livro publicado depois de um navio naufragado que ainda navega, dá pra ver que a profecia do título era ele mesmo. Pra mim um livro pronto sempre deixa de ser só de quem escreveu e passa a morar na mão de quem lê, e deve ser daí que vem essa leveza de não caber mais nas palmas. Parabéns pelo livro!

    Permalink
  • malaExtraviada

    Pelo jeito o livro saiu mesmo, e o poema é o depois dele, quando a coisa já não está mais nas mãos de quem escreveu. Bah, deve dar uma leveza estranha.

    Permalink

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