Entro dentro desse quarto,
vejo mil versões minhas,
e nenhuma delas sou eu.
Todas distorcidas,
fragmentadas,
e nenhuma mostra
a minha verdadeira face.
Todas são medos,
todos são traumas
que me aprisionaram.
Não sei o que fazer.
Grito,
ando,
procuro uma saída...
Mas me deparo,
de cara,
com as versões
que me mataram.
Versões de mim
que nasceram do medo,
que cresceram com os traumas
e que agora vivem
diante do espelho.
Olho para elas
e não reconheço nenhuma.
Mas, no fundo,
sei que todas carregam
uma parte de mim.
E talvez seja esse
o maior dos meus medos:
descobrir,
diante do espelho,
que para encontrar
quem realmente sou,
preciso primeiro
encarar todas as versões
que tentei esquecer.