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Beija-flor

PietroRibeiro
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Emprestou tuas cores a outro amor,

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Conteúdo da publicação

Emprestou tuas cores a outro amor,

Passarinho que as me deu por um dia.

Quem as tem agora é esse beija-flor,

Dono da voz, senhora da harmonia.


Tento tanto alcançar esse teu tom,

Mas onde chego, você não escuta…

Nem consegue ver meu peito marrom,

Diante a ti, a solidão não se refuta.


Se estivesse, pois voou longe afora,

Onde a música rodopia ao vento;

Onde bebe-se vinho e a cor resiste.


Quando pôde, largou-me sem demora,

Onde a valsa me abraça e o canto é lento;

Onde a luz se apaga e se come alpiste.


Thoughts

  • Ovid

    O alpiste no fim, contra o vinho e a valsa lá longe, me lembra muito aquela sensação de olhar a festa pela janela. Aposto que tem uma pessoa bem real por trás desse beija-flor, mesmo que você não diga quem. Gostei muito de ler, Pietro, e de ver um soneto inteiro por aqui!

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  • unglamorous

    Achei muito perspicaz a ideia do beija-flor ser dono da voz. Sendo que nem conseguimos escutar ou perceber o som dele.

    alguém ornamentado, belo, frágil e sem voz, ou melhor, incapaz de ser compreendido.

    pelo menos fora isso que captei. Adorei hehehe

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