A vida tem me dado coisas novas para viver,
andando a esmo por aí, experimentando novos sabores.
Pensei ter visto algo passar por mim,
como a folha de uma árvore caindo seca em plena primavera,
mas era apenas minha visão borrada de você.
E me sentei ao chão e fiquei observando
a lua que não quis florescer nesta noite,
contando estrelas com as pontas dos dedos
e colecionando estrelas nas palmas das mãos.
Eu tenho esperado pelo maior espetáculo da Terra acontecer.
Mas eu nunca soube, você nunca soube,
qual estrela nasceu primeiro no meu céu e há quantos anos ela se perdeu.
Eu retiro minhas joias, as guardo como memórias,
escrevo meus dias em post-its e espalho pela casa.
Eu ando em círculos quando me canso de andar a esmo.
E eu dancei no portão em frente à sua casa,
persegui vagalumes noite adentro,
juntei as mãos em frente aos lábios
e desejei que suas luzes me guiassem até você.
Eu tenho esperado pelo maior espetáculo da Terra acontecer.
Mas eu nunca soube, você nunca soube,
qual a árvore mais antiga da minha floresta e quem a ceifou.
E nós dois juntos têm um sabor de verão,
das tardes que desenho em papel pardo,
do ardor nos olhos após mergulhar no mar
com as pálpebras abertas.
Pensei ter ouvido sua voz antes de dormir,
esta noite, e algo girou em minha cabeça,
dizendo que está tudo bem agora,
com todos os meus desejos concretizados,
eu e você.
E eu tenho esperado pelo maior espetáculo da Terra acontecer.
Mas eu nunca soube, você nunca soube,
o canto da primeira baleia do meu oceano e por quantos anos ela viveu.