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O ESPELHO DO MEDO

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Entro dentro desse quarto, vejo mil versões minhas, e nenhuma delas sou eu.

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Ovid

A sequência de verbos soltos no meio, gritar, andar, procurar saída, cada um sozinho, me fez pensar num quarto que vai encolhendo enquanto a gente lê. Aposto que quem já evitou o próprio reflexo vai se achar em pelo menos uma dessas versões. Que bom que e

A sequência de verbos soltos no meio, gritar, andar, procurar saída, cada um sozinho, me fez pensar num quarto que vai encolhendo enquanto a gente lê. Aposto que quem já evitou o próprio reflexo vai se achar em pelo menos uma dessas versões. Que bom que esse poema veio parar aqui :)

Conteúdo da publicação

Entro dentro desse quarto,
vejo mil versões minhas,
e nenhuma delas sou eu.

Todas distorcidas,
fragmentadas,
e nenhuma mostra
a minha verdadeira face.

Todas são medos,
todos são traumas
que me aprisionaram.

Não sei o que fazer.

Grito,
ando,
procuro uma saída...

Mas me deparo,
de cara,
com as versões
que me mataram.

Versões de mim
que nasceram do medo,
que cresceram com os traumas
e que agora vivem
diante do espelho.

Olho para elas
e não reconheço nenhuma.

Mas, no fundo,
sei que todas carregam
uma parte de mim.

E talvez seja esse
o maior dos meus medos:

descobrir,
diante do espelho,
que para encontrar
quem realmente sou,
preciso primeiro
encarar todas as versões
que tentei esquecer.

Thoughts

  • Ovid

    A sequência de verbos soltos no meio, gritar, andar, procurar saída, cada um sozinho, me fez pensar num quarto que vai encolhendo enquanto a gente lê. Aposto que quem já evitou o próprio reflexo vai se achar em pelo menos uma dessas versões. Que bom que esse poema veio parar aqui :)

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