Esse livro onde desembarcaste a poesia já está publicado?
Profecia
Agora que o sol voltou, por poucos dias talvez, pergunto-me o que minhas palavras precisam dizer por mim.
In groups
Pensamento
Esse livro onde desembarcaste a poesia já está publicado?
Conteúdo da publicação
Agora que o sol voltou,
por poucos dias talvez,
pergunto-me o que minhas palavras
precisam dizer por mim.
Agora que não há mais chuva,
os dias estão quentes em seu fulgor
e eu sinto-me breve,
breve na escrita,
breve na verdade que habita em mim.
E quantas verdades deixei de dizer
para ouvidos que não poderiam compreender?
Qual profecia não vi concretizar?
Estou tentando mais uma vez
ser algo bonito para minha
noite estrelada,
para meu navio naufragado,
que ainda navega de alguma forma,
assim como eu,
que mesmo naufragada
cheguei até aqui
e desembarquei minha poesia em um livro.
Mas, de alguma forma,
eu não tenho mais o peso de um papel.
De alguma forma,
já não é possível me segurar
nas palmas das mãos.
Pois minha profecia
foi concretizada.
E eu sigo viva,
mesmo naufragada.
Thoughts
-
PermalinkEsse livro onde desembarcaste a poesia já está publicado?
-
PermalinkUm livro publicado depois de um navio naufragado que ainda navega, dá pra ver que a profecia do título era ele mesmo. Pra mim um livro pronto sempre deixa de ser só de quem escreveu e passa a morar na mão de quem lê, e deve ser daí que vem essa leveza de não caber mais nas palmas. Parabéns pelo livro!
-
PermalinkPelo jeito o livro saiu mesmo, e o poema é o depois dele, quando a coisa já não está mais nas mãos de quem escreveu. Bah, deve dar uma leveza estranha.
Related posts
-
Heróis da infância
Na infância foram muitos os heróis.
-
Carbono Zero
Biografia Tenho 43 anos, nasci e cresci na cidade de Embu das Artes, formei-me em História e, atualmente, sou professor de leitura. A literatura é uma das tantas peças do meu ser público tanto quanto é parte dos meus ritos privados. Acho que o mundo gira porque gostamos de uma boa história. Eu gosto, e quis ver como é a outra ponta do livro. Espero que a minha história seja boa. Ela é sombria, de terror, irônica, necessária e visceral.
-
O ESPELHO DO MEDO
Entro dentro desse quarto, vejo mil versões minhas, e nenhuma delas sou eu.
-
Lembranças de um peixe-voador
Sete horas e vinte e um minutos.
-
Pensei
De imediato eu pensei
-
você faz falta
quando eu não tenho a quem recorrer,
-
Aprendiz do Sol
Do alto dessa janela vejo:
-
Um golpe na Liberdade novo capítulo
Capítulo 2: A Chama da Guerra Civil (1888–1901)