Do alto dessa janela vejo:
Um homem em direção à feira,
Uma jovem mulher de suéter amarelo com seu cão,
E um senhor sentado em um banco fumando seu terceiro cigarro.
O que é a vida para cada um deles?
O que o tempo significa?
Três horas dessa manhã é pouco ou o suficiente?
Onde moram?
Quem os ama?
Esse carro verde brilhante dobrando a esquina, quem o dirige?
São tantas dúvidas sobre esse dia,
E nada será respondido.
Ninguém irá me ouvir daqui de cima.
Estou presa nesse grande quadrado com divisórias,
O que eu poderia fazer além de perguntas?
Não sinto a grama há 1.095 dias.
A chuva não beijou meu cabelo hoje,
O sol não me abraçou como fazia antes.
Estou presa ao alto da cidade,
Quando irei ser livre novamente?
Talvez amanhã?
Estarei esperando o amanhecer nos próximos dias,
Ou durante a eternidade.
Do alto dessa janela eu sonho em tocar flores,
Begônias, para ser exata.
Penso em lilases:
Estão sempre vivas e livres.
Seremos como a morte tocando a vida,
E pés descalços encontrando a grama.
Irei me debruçar nessa janela ao anoitecer,
Talvez a noite me traga bons pensamentos,
Ou mais perguntas sobre a vida e de quem realmente a viva.
Terei que aprender com o senhor Sol o que é nascer,
E desaprender com os mortos o que é viver eternamente o mesmo dia.
Ao abrir meus olhos logo cedo,
Desejo estar do outro lado do mundo,
E poder olhar uma bela janela ao alto do céu,
Me perguntando: como viverei amanhã?
Para quem contarei meus maiores sorrisos?
O que amarei em seguida nessa tarde?
Talvez o que vejo em um grande espelho ornamentado seja a minha resposta.
Hoje e amanhã,
Serei eu.