Achei que não sentia mais nada, até ver seus olhos outra vez.
Foi só um olhar.
E tudo aquilo que eu achei que havia enterrado voltou à superfície.
O sentimento que eu acreditava não existir mais apareceu de repente, como uma onda que chega sem avisar e leva tudo o que encontra pelo caminho.
E então eu senti saudade.
Saudade do seu toque.
Do seu beijo.
Do seu cheiro.
Do calor da sua pele.
Saudade da forma como eu me sentia quando estava ao seu lado.
Saudade de dormir com você e acordar com o seu carinho.
De encontrar conforto nos seus braços.
Da intensidade que era amar você.
Por um instante, parecia que o tempo não havia passado.
Como se todo o amor que eu pensei ter deixado para trás ainda estivesse ali, escondido em algum lugar dentro de mim, esperando apenas um olhar seu para despertar.
Mas passou.
Algumas histórias terminam mesmo quando ainda existe carinho.
E a nossa terminou.
Eu vivi tudo o que pude viver.
Amei com tudo o que consegui amar.
Me entreguei da maneira mais sincera que fui capaz.
E não me arrependo.
Porque, apesar de tudo, eu fui feliz.
Muito feliz.
E talvez seja isso que eu queira guardar.
Não o fim.
Não a dor.
Não aquilo que nos fez partir.
Quero guardar os risos, os abraços, os beijos, as noites juntos e a sensação de ter amado alguém de verdade.
Quero lembrar de nós com carinho, sem precisar transformar o que foi bonito em algo feio só porque acabou.
Porque hoje eu entendo que nem todo amor precisa durar para sempre para ter sido verdadeiro.
Alguns amores existem para nos atravessar.
Para nos transformar.
Para nos ensinar.
E, mesmo que um dia tenham que partir, deixam alguma coisa de si dentro da gente.
Você deixou.
E talvez eu também tenha deixado um pouco de mim em você.
Mas acabou.
E tudo bem.
Fui feliz enquanto durou.
O amor pode ser intenso.
Pode ser doloroso.
Pode até chegar ao fim.
Mas isso não faz com que tenha sido menos bonito.