Tudo vive o seu nome e as suas cores.
Como você se perdeu naquela casa?
O seu batom rosado ainda está em pé na sua cômoda.
Seu perfume segue na minha camisa,
E o seu pente esculpido em madeira percorre os meus fios de cabelo todos os dias.
Como pode ser tão egoísta ao pensar em ir embora?
As louças estão quebradas e jogadas ao chão.
Lembra como você gostava da vasilha cintilante ao encontrar um raio de sol?
Não vejo sua cristaleira em meio a isso tudo,
Não ouço os discos,
Não enxergo o céu,
Apenas vejo você
Arrumando todo o estrago e a sujeira que fiz,
Tirando o vermelho e devolvendo o marrom da madeira.
E você está tão linda, está tão jovem...
Eu escreveria milhares de cartas apenas com o seu nome para me lembrar de quão lindo ele é.
Faz meses que não pego em uma caneta e não vejo um papel há dias.
Não poderei escrever a você.
Estou preso no agora,
Revivendo dia após dia a sua morte e a minha perda.
Logo serão cinco horas e quarenta e nove minutos, hora de ver você com seu lindo vestido avermelhado.
Nunca irei me entediar com a sua vida e com a sua morte.
Você estará segura comigo, cuidarei bem de você.
Apenas acorde e aproveite este dia, Cora.