Minhas ingênuas criaturas,
como poderiam pensar que eu as amaria?
Lesmas grudentas e sujas,
sinto pena nos olhares repulsivos de vocês.
Entrem em meu corpo e floresçam.
Remexam em meus órgãos.
Mordam os meus ossos.
Quero chorar por vocês.
Caras crianças,
como eu as desprezo.
Eu poderia nomear cada uma de vocês com as palavras mais bonitas que ainda não ganharam vida,
mas ainda seriam iguais a um pântano.
Seria mais fácil se parassem de gritar por um só segundo.
Não entendem que estou cuidando de vocês?
Mal-agradecidos insolentes,
deem-me o seu sangue para que eu rejuvenesça em prazer.
Escrevam nas paredes declarações de amor ao meu nome.
Cresçam e explorem minha carne.
Quero os seus dedos cravados em meu corpo,
suas línguas em rio sobre minhas mãos.
Arranquem minhas pernas e libertem meu sangue em seus corpos.
Tirem-me o ar e devolvam-me o veneno que é morrer em amor.
Meus demônios, como eu amo vocês.
São clareza em minha boca
e esgoto em si mesmos.
Deixem que eu os farei felizes.
Eu lhes darei motivos para se rastejarem até a luz.
Estarei vigiando cada palpitação dentro de seus corpos,
cada suspiro de esperança percorrendo suas veias.
Agora olhem para mim e aconcheguem-se em meu crânio.
Hoje eu os farei maiores.