Antologia de Órion
I
O quarto estava envolto numa penumbra confortável. A janela entreaberta deixava entrar a brisa fresca de uma noite de verão, que tocava minha pele como musselina. Eu me afundava entre os lençóis de seda, abraçado aos travesseiros, enquanto sonhava com contos escritos em rimas que não conhecia. Ainda assim, aquelas narrativas surreais me agradavam, havia nelas uma lógica que eu aceitava sem questionar.
Um clarão invadiu meus sonhos, seguido por um estrépito que tomou conta do recinto. Acordei de forma tão abrupta que meu coração entrou em descompasso. Comecei a suar e olhei ao redor, completamente desnorteado, sem entender o que havia acontecido. Direcionei meus olhos à janela. O céu estava limpo, e as estrelas de verão reluziam lá no infinito.
Deitei-me outra vez, respirei fundo tentando esvaziar minha mente. Pouco depois, caí num sono profundo sob a luz distante de Órion. Parecia que Morfeu havia me abençoado, pois o que sucederia seria obra do divino, um sonho em forma de poemas direto do Parnaso.
Eu estava amando um completo desconhecido. Nossas vidas eram construídas em uníssono. Não havia esforço entre nós, apenas uma familiaridade absoluta, antiga demais para ser explicada. No ponto que a rima se lapidava em perfeição, fui interrompido.
— Bom dia.
Capítulo 2:
Capitulo 3:
Capítulo 4: -
Capítulo 5: -
Capítulo 6: -
Capítulo 7: -
Epílogo: -