I
Findam-se naquelas ruínas
Que outrora fora história
Sustentada por colunas tão divinas
O percurso dessa trajetória
Não tenhas medo da canção
A lhe guiar pro temido éter
Mesmo que não tenha o caráter
Pois de rachaduras é nossa ascensão
“Venha a mim”, eu escuto
Enquanto vivo ininterrupto
Seguindo a melodia que proclama
O final da trajetória dessa trama
II
Há uma contradição cruelmente arquitetada: existir é, por si só, rumar à sua morte.
Alguns se perdem tanto, com medo de se esvair, mas o éter está batendo à porta enquanto cada suspiro estás a assumir.
Não quero tese, mas cá estou eu, a me contradizer.
A contramão de viver é existir em outrora, contemplando a retrotopia, ao passo do fio que vem a se tornar branco.
Fio, esse, que as Moiras já teceram sobre a sua hora.
Não há escapatória: iremos rumo ao fim, apenas.
Que a valia venha a lhe nortear através da luz de Apolo para, talvez, ao parnaso ascender e transformar:
a sua beleza em palavras,
seu sorriso em saudades,
seu cheiro em memórias.
No fim, é isso:
seguir adiante;
se for para morrer,
que seja em poesia.
Mas há uma ironia:
nem toda poesia é,
por si, para ser vivida.
III
Foste ludibriado por uma prosa
Se enraizando de forma onerosa
Que de virtude inefável tinhas de ser
Irredutível ao sacro padecer
Aquele com virtude inabalável
Consagrou a travessia impertérrita
Em uníssono ao subsistir inexorável
Axiomático a si de alma emérita