Palavras do hierofante
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No paradoxo o óxido no ódio se instalou,
Inalou e tragou o que tanto defendeu.
Sentiu-se preso ao oco pomposo,
Troncoso e rugoso pulsando em repouso.
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Difuso e encoberto pela mortalha do século,
Ansiolítico e analítico, orando pelo mítico.
Montado e ludibriado no proscênio proposto,
A contragosto do sufoco que sofre naquele posto.
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Na função de desgosto se encontra ruminando,
De martírio e martini pegou-se regurgitando.
Palavras de epifania e epidemia me vi gritando,
Em burocracias e serventias se fez lutando.
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Dobro, desdobro e também redobro,
O preço do prego é só o troco em dobro.
Endosso o torso de outrem já morto,
Revivido e travestido em algo torto.
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II
O eu, alienado ao próprio fixo,
Desloca e condensa o que convém do afixo.
Mariposa se torna presa ao prefixo
Da luz angulada e prismática do sufixo.
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Ao próprio umbigo se volta em órbita,
Mas de fora entoa ovação hipócrita.
Ajoelha-se e se dirige ao que prego:
Sacrilégio penitente ao sacro ego.
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Penoso esse indivíduo sem pena,
Que atua pesares enquanto encena.
Ri um choro coletivo para a próxima cena,
Mascarando tamanha cólera interna.
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III
No entrave do trato dos conformes,
No estopim das críticas dos desformes,
Entre entrelaço e laço os lançou
Ao ponto de não reconhecer o que se criou.
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De repente, tangente e árbitro se metaforiza:
Sibilina, de forma inescrutável, a Sacerdotisa.
Mago, esse que transgride como o prestidigitador,
Ao ponto de ludibriar o futuro escamoteador.
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No pressuposto entorno e retorno,
É posto no proscênio de modéstia.
Inerente à tiragem de ás do simulacro,
Baralho e ritos que trazem idolatro.
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Límpido e inefável, bendito hierofante;
Execrável, maldito, aquele que segue avante.
Sociedade moldada pelo idolátrico sacro —
Porém quem escuta sempre será o mais fraco.