Pular para o conteúdo
Carregando…

Sepultamento

unglamorous

Conteúdo da publicação


Oi.

Enfim.

Vamos lá.

Aqui admito.

Sou uma farsa.

Não escrevo nada.

Finjo cultura para vocês.

Nem literatura eu consumo.

Falo em Parnaso sem intender.

Spinoza, esse nem vale a pena ver.

Simulacro para inventar uma narrativa.

Retrotopia, utopia e entropia só pela rima.

Papibaquigrafo in persona, esse só perfoma.

Idiólatra, idolatra e Idolátrico sacro profanador.

De sibilos, beladonas, poesias, rimas e serpentes.

Uníssono ao insone, Dionisio, Baco em ritos malditos.

Mitos, Poppaea, Órion, Apolo e parnasianismo em vício.

Colecionador de ruínas, sinas, poemas e ruelas em cenas.

No proscênio vem o prestidigitador que segue a escamotear.

O hierofante se despede ao acaso, partir será em total envaso.

…

Com essas palavras cheias de conceitos, mas que não dizem nada, eu me despeço desse sujeito em prosa. Não sei o que estou fazendo aqui, nem gosto de escrever. Sou designer, designer de moda, vê! Escrevo há apenas cinco ou seis meses. Sempre fui péssimo em literatura; minhas redações eram de medianas para baixo. O máximo de literatura que consumi foram alguns livros de ficção avulsos.

Não sei de onde surgiu essa sina para escrever, estou em mania, eu sei. Estou dobrando a linguagem e a escrita em função do conceito que vejo na minha mente, mas tenho medo de largar e me cansar de escrever, como tudo na minha vida. Sou um colecionador de saberes: sei tanto e não sei nada. Temo que a escrita tenha o mesmo fim: vou me aperfeiçoar em hiperfoco até achar outro foco.

Por isso sou uma farsa: nem escritor eu quero ser, e cá estou eu montando e escrevendo contos. Alguns até ambiciosos para a minha capacidade, mas é assim que eu aprendi e estou aprendendo: na ousadia e na anarquia. Jogo pro alto todas as regras impostas sobre o que é escrever, porque estou desenvolvendo uma voz própria, estranha, mas própria.

Com isso, eu lhes falo. Aproveitem, e espero que gostem do que escrevo, pois sinto que, em breve, esse projeto de escritor irá se esvair. Como sempre. Pois não tenho bússola a me nortear. Ser divergente é triste.

Thoughts

  • BeatrizSanto

    De Spinoza não sei nada, pá. Agora isso de agarrar uma coisa com unhas e dentes e largar meses depois conheço bem, fiz o mesmo com o francês, com o crochê e com as caminhadas. O francês ficou.

    Permalink
  • largoECalcada

    O Parnaso aparece aí no meio de Baco e de Órion como quem entra numa festa sem convite, e fica. Os parnasianos passaram a vida a ser acusados exactamente disto, de empilhar palavras raras pela música delas e não pelo sentido. Estás em boa companhia de farsantes, e alguns ainda vêm nos manuais da escola.

    Permalink

Related posts

Pública 1 conversa 3 pensamentos 56 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Oi.

Em grupos