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Cor de oliva

unglamorous

Conteúdo da publicação

Estás a encarar, pupilas a dilatar

Por conta do então vislumbre

De cores oliva, traços de mel,

Caramelo salgado e doce maresia.

Em prosa e clericot, a recitar

Rimas e versos, de deslumbre,

Inescrutáveis como uma cascavel,

Sibilando retórica para sua fantasia.

Sobrancelhas perfeitas e abundantes,

Rosto de maxilar e nariz marcantes;

Trazendo um traço assimétrico e estético.

Como pode alguém deificado e poético?

Sua silhueta esguia e alta,

Como os templos de Malta,

Esculpida em Globigerina*,

Numa nobreza tão genuína.

A brisa do mar vem destruindo as rimas

Que, há instantes, eram truísticas,

Por conta de uma cena toda cênica,

De uma gota de suor, lenta e obscena.

Sua presença, por si só,

É um poema.

Seus gestos, delicados,

Trazem tormento

Para aqueles que o cercam.

O azul parahyba**, ele contempla,

Em olhos cheios de melancolia

E maresia de águas gélidas.

Essa poesia vai encaracolando

os versos.

Em seus cabelos,

emaranhados pelo vento.

E ao descrever o suposto amor de verão.

Irão faltar cores nos outros,

ao moço rabiscar.

“A taça de clericot sobre a mesa,

O teu corpo sob o meu;

Meus cabelos em teus dedos;

Gosto de sangria no teu beijo.”

Tão atento vi-me a contemplar-lhe

Que o espelho vem a relembrar-me

O amante que outrora eu já fora,

Um poema em cores de valia.

Vívido em meus amores,

afora pelo mundo,

Esculpindo minhas dores.

Rodapé

*: Calcário cor de mel formado por microfósseis marinhos, típico da construção e da escultura em Malta.

** Turmalina azul-neon, colorida pelo cobre, descoberta nos anos 1980 na Paraíba, Brasil. Uma das gemas mais raras que existem.

Thoughts

  • melCoelho

    Parece-me que o espelho no fim vira tudo do avesso: o rapaz de cabelo ao vento era o próprio, num verão que já passou. Aposto que isto foi escrito bem depois desse verão.

    Permalink
  • mora_aqui_ja

    Caramelo salgado, clericot e maresia, esse poema tem cheiro de fim de tarde na praia e eu aqui de casaco no quarto 😭

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