Quem vê de fora não entende
como dois corações podem se pertencer
mesmo quando há quilômetros entre eles
e tanta vontade de se ver.
Tu aí, contando as horas,
eu aqui, contando os dias,
e nós dois contando as vezes
em que a saudade nos tira a alegria.
Não é que falte amor,
nem vontade de fazer acontecer.
É que a vida ergue seus muros
justo onde eu queria te ter.
E eu me pergunto, tantas noites,
se tu também olha pro céu
e imagina minhas mãos nas tuas,
teu abraço desfazendo o meu véu.
Porque, se eu pudesse escolher,
não queria presentes, nem promessas bonitas.
Eu queria quinze minutos contigo,
e que o mundo lá fora desistisse da pressa.
Quinze minutos pra te olhar de perto,
pra descobrir se teu abraço é mesmo meu lugar,
pra encostar minha testa na tua
e deixar meus olhos tudo falar.
E se fossem quinze minutos apenas,
eu não gastaria nenhum a reclamar.
Eu faria caber neles toda a saudade
que passei tanto tempo tentando calar.
Mas eu não quero viver só de encontros roubados,
nem de despedidas que me ensinam a chorar.
Eu quero o dia em que tu não precise ir embora,
em que o meu endereço também seja o teu lugar.
E nós tentamos, meu bem.
Entre planos desfeitos e noites compridas,
entre o medo de não dar certo
e a esperança de mudar nossas vidas.
Até que um dia a distância cedeu,
e o impossível perdeu a razão.
Tu estavas ali, bem na minha frente,
e eu mal acreditava naquela visão.
Não havia tela, nem promessa, nem espera,
nem um adeus escondido no olhar.
Havia teus braços abertos pra mim
e uma vida inteira querendo começar.
Eu te abracei como quem recupera
cada segundo que o tempo levou.
E tu me apertaste como quem finalmente
encontrou o caminho de volta pro amor.
E, se alguém me perguntar um dia
quanto vale a saudade que a gente enfrentou,
direi que valeu cada noite distante,
cada lágrima quieta, cada plano que falhou.
Porque nós não vencemos a distância
por nunca termos pensado em desistir.
Nós vencemos porque, mesmo com medo,
escolhemos continuar e nos permitir.
E hoje, se eu pudesse voltar no tempo,
àquelas noites em que só me restava esperar,
eu diria baixinho àquela versão de mim:
“Não desiste, meu bem.
Um dia, os quinze minutos vão passar…
e tu não vais mais precisar contar
quanto tempo falta pra ele voltar.”