Sinto na boca o gosto já da morte.
Sinto-o meu sangue vindo das entranhas.
A mente atravessa horas estranhas,
Após morrer de amor; viver sem sorte...
Passo sem que ninguém mais me conforte
Devastado com falas tão tacanhas.
Fui levado por manhas e artimanhas,
De quem fez da paixão o seu esporte.
D'amor os infortúnios só eu tive.
E a vida corre como por penhascos
Um rio que a mil quedas sobrevive.
Da morte que vivi, contive-me ascos!
De tanta insensatez, nada me prive,
Amando meus amores; meus carrascos.
Betim - 28 05 1996