PRESENTE AUSENTE
Hei-de ter co’a tristeza, errando errante,
Nas horas do eu-comigo inconsequente:
Tenho deixado tudo o mais pendente,
Como se viver fosse extenuante.
Tanto mais o fracasso é instigante
Quanto mais reflexivo um decadente...
Restou ficar ausente do presente,
Enquanto a realidade eu vir distante.
Pensante, mas agindo por instinto.
Inobstante eu passasse por insonte,
Vejo-me a mim tão-só em labirinto.
Em vão Fênix renasce ao fogo extinto.
Em vão o sol se põe pelo horizonte.
— Azulo n'um crepúsculo indistinto…
Betim -30 05 1996