MAL-DE-AMOR
Alta noite, em erráticos desterros,
Anda de ouvidos e olhos bem abertos:
Um só a atravessar bairros desertos,
Enquanto confrontava a lua aos berros.
Alucinando já — nem posto a ferros
Diz contar seus segredos encobertos.
Porém, ao questionar quaisquer acertos,
Saúda a vida em todos os seus erros.
De coração é quanto tem em mente,
Já não s'enxerga mais que um amador,
A revirar a dor que finge e sente.
Talvez confunda fúria com ardor…
Escolhe-se, mortal e simplesmente,
Dos males, o maior: o mal-de-amor.
Belo Horizonte – 13 02 1996