Outra vez, terminou sem começar.
Qual, do amor, ser sem ser do amor premissa.
Feito um fósforo cujo ardor se atiça
Apenas para após ver se apagar.
Venceu a nulidade ao não amar;
Por premissa segunda, vã preguiça:
Sentimento que, só, se desperdiça
É tesouro no fundo d'algum mar.
Tendo por regra ser algo inseguro,
Não me traz o amor mais que insanidade;
Logo, n'ele não há o que procuro.
E em face d'essa ilógica verdade,
Concluo de silogismo tão obscuro
Outro lugar-comum felicidade.
Betim - 05 05 1996