Mas fala, cara, à minha língua amara
Essa palavra tão rara que linda,
E que ainda há pouco era; e que ainda
A gente urgente diz e nem repara.
Urrando errante, mas de forma clara,
Pontue-se-me a frase que, enfim, finda.
A interjeição então se faz bem-vinda
Na poesia à folia que me ampara.
Diante d’uma explosão vã de estupor,
Eu vou de estúpido a estupefacto
Sob o impacto dos sons e seu sabor.
Açula parolar o que, de facto,
Significado dá a quanto for...
Mas fala, cara, o teu sentido exacto.
Belo Horizonte - 20 05 1996