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RASURAS

RicardoC

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RASURAS

Seu nome à tinta china estava escrito
Na carta que ficou por remeter…
Letras que pareciam m’envolver 
N'um amor tão ingênuo que bonito. 

Foram meses seguindo o velho rito, 
De amizade tornada bem-querer.
Amava em silêncio a não perder
Fosse o que fosse aquele enleio aflito. 

Esta carta esquecida na gaveta, 
Revejo a recordar a hora inquieta
Em meio a decepções e outras agruras.

E o nome que restou feito feitiço,
— Não por desencantado; longe d'isso!… —
Leio mesmo riscado de rasuras.

Belo Horizonte – 01 11 1991


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