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Sem título - Capitulo I e II

unglamorous
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Antologia de Órion

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Conteúdo da publicação

Antologia de Órion

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Capítulo I

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O quarto estava envolto numa penumbra confortável. A janela entreaberta deixava entrar a brisa fresca da noite de verão, que tocava minha pele como musselina. Eu me afundava entre os lençóis, abraçado aos travesseiros, enquanto sonhava com contos escritos em rimas que não conhecia. Ainda assim, aquelas narrativas surreais me agradavam. Havia nelas uma lógica que eu aceitava sem questionar.

Um clarão invadiu meus sonhos, seguido por um estrépito que tomou conta do quarto. Acordei de forma tão abrupta que meu coração entrou em descompasso. Comecei a suar e olhei ao redor, completamente desnorteado, sem entender o que havia acontecido. Voltei os olhos para a janela. O céu estava limpo, e as estrelas de verão reluziam no infinito.

Deitei-me outra vez, respirei fundo e tentei esvaziar a mente. Pouco depois, caí num sono profundo sob a luz distante de Órion. Então tive um sonho muito estranho. Eu amava um completo desconhecido. Nossas vidas eram construídas em uníssono. Não havia esforço entre nós, apenas uma familiaridade absoluta, antiga demais para ser explicada.

— Bom dia.

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capítulo II

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Acordei tranquilamente. A realidade, porém, estava completamente desalinhada. Meus olhos pesavam; eu babava no travesseiro, preso a uma posição desconfortável, enquanto o despertador tocava sem parar. Tentava desliga-lo às cegas.

Me vi irritado. O sonho ainda estava nítido, mas eu sabia que se dissolveria ao longo do dia. Essa certeza me incomodou. Fiquei ruminando aquele amor que nunca havia vivido, tentando preservar alguma coisa dele antes que desaparecesse.

Fui à cozinha, abri a geladeira e peguei os ovos e o leite. Estava preparando os ovos mexidos cremosos, que eu adorava, enquanto bocejava e consultava o relógio.

— Amor!

Ouvi alguém sussurrar, como se me chamasse. Parei por um instante. A voz era desconhecida. Ainda assim, havia nela alguma coisa familiar — uma intimidade que não fazia sentido num apartamento vazio.

Deduzi que foi apenas uma impressão, então voltei a atenção para o fogão. Os ovos haviam passado do ponto.

— Quanto tempo fiquei parado?

Comecei a comer os ovos com torradas e suco de laranja diante da televisão, acompanhando o jornal da manhã. Segundo a notícia, um homem havia sequestrado e matado uma mulher e, em seguida, cometido suicídio. Achei uma notícia desproporcional pro horário.

— Um ótimo jeito de começar o dia.

Levantei, deixei os pratos na pia e comecei a lavá-los, mas, quando olhei para o relógio, percebi que já estava muito atrasado. Abandonei a louça e corri para o banho.

Pegando a toalha às pressas, atravessei o corredor e parei. Tive a impressão incômoda de que havia esquecido alguma coisa.

Não sabia o quê.

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Nota

Escrevo desde abril.

Desde então, tenho experimentado poemas, poesias e prosas. Inclusive, durante esse processo, escolhi não consumir literatura.

Queria descobrir até onde conseguiria chegar apenas seguindo minha própria intuição.

É meu primeiro texto narrativo. Por isso, decidi publicá-lo em capítulos.

No final, depois que tudo estiver terminado, pretendo voltar ao texto inteiro, revisar, reescrever o que for necessário e publicar uma versão completa do conto.

Thoughts

  • thiaguinho

    Não entendo nada de conto, mas essa coisa de acordar com saudade de alguém que nunca existiu eu vi num garoto que joga comigo. Ele passou uma semana procurando na escola a menina de um sonho, jurando que o rosto era de alguém de verdade. Nunca achou, e até hoje fala dela rindo.

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  • temporadaSeis

    Já tô desconfiada do despertador e dos ovos passados do ponto, uai. Aposto que esse tempo que ele perdeu parado no fogão ainda vai ter explicação lá pelo capítulo cinco.

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