A luz é cega no escuro.
O escuro é cego pela luz.
Eu sou a luz.
Ele é o escuro.
Ele é cego,
cego pela paixão.
Quanto mais me vê,
mais quer se aproximar.
Mas, quando chega perto demais...
ele se afasta.
E a luz faz o mesmo.
Porque a luz revela demais,
e o escuro esconda demais.
Talvez sejamos opostos
que só conseguem existir à distância.
Ele foge daquilo que o ilumina.
Eu fujo daquilo que me apaga.
E, no fim,
continuamos presos um ao outro:
A luz procurando o escuro,
o escuro desejando a luz.
Mas... talvez não seja bem assim.
Que o escuro não deseje tanto a luz.
Que existam outras,
mais fortes, mais brilhantes,
que chamam sua atenção antes de mim.
E então a luz tenta brilhar mais.
Um pouco mais a cada dia.
Tentando ser suficiente.
Tentando ser aquela
que o escuro finalmente... A veria.
Mas quanto mais ela tenta brilhar,
mais se cega.
E talvez, no fim,
a luz descubra que não precisava
ser a mais brilhante.
Só precisava saber
se o escuro realmente queria
enxergá-la.
— Jessy Black.