Há dias em que parece que tudo passou,que o peito finalmente aprendeu a respirar,e há outros em que uma lembrança qualquer abre de novo uma ferida que você jurava fechada.
E tudo bem.
Nem todo retrocesso é fracasso.
Às vezes, voltar a sentir
é só uma parte do caminho.
A cura não acontece de uma vez.
Ela acontece aos poucos,
entre lágrimas e recomeços,
entre dias bons e noites difíceis.
Até que, um dia,
você percebe que aquilo ainda dói,
mas já não te destrói.
E talvez seja isso se curar:
não apagar as cicatrizes,
mas olhar para elas
e perceber que, apesar de tudo,
você continuou.
Que houve dias em que você sangrou
e, ainda assim, ficou.
Que houve noites em que pensou
que não chegaria ao amanhecer
e chegou.
Porque a cura não é sobre nunca mais quebrar.
É sobre descobrir,
cada vez que a vida te quebra,
que você ainda sabe
como se reconstruir.
E um dia,
sem perceber,
você olha para trás
e entende:
a ferida não desapareceu.
Foi você que cresceu
até ela não caber mais em você.