Ao teu lado, em estado de frustração. Tu foste o amor da minha vida e agora nem sei o que isso significa. Perdido estou nas costas da assustadora cafeína, que traz a mim o bem mais valioso: a vitamina. Irei às estrelas; ver-te-ei lá. Ó, preciosidade temporária, o que eu fiz para não poder amar-te? Desorienta-me, minha cara, tu sabes disto; hélices geladas com frio que me agrada, dizei-me: através de vossas asas, verei novamente o olhar do sentimento selvagem? Poder estar afastado das paredes noturnas foi bom e nem um pouco ruim. Ruim mesmo é saber que o pecador só regenerou os seus rins. Os espectros assustadores me dizem que sou a peste-negra com febre-amarela. Maldita seja a pronúncia deliberadamente arcaica, pomposa e progressivamente em estado de alteração sintática, que me faz voar pelos ares, e eleva o meu estado de espírito, transformando-me num porco-espinho, elaborando as minhas linhas, encontrando as mensagens das pontas de meus cabelos, dizendo que eu sou Deus, e que Deus sou eu, facilitando a volta de Jesus, entrando através da carne podre que minha massa encefálica, vulgarmente chamada de cérebro, produz, pregando pregos em minhas veias, tirando de mim as pernas os braços e o pó da razão, dizendo que me amas e que ainda há salvação, facilitando, finalmente, a minha decisão. Dedico o inferno a ti, maldita decepção.
— David Raul.