Eu tenho raiva de mim.
Raiva porque todo mundo diz: “vai viver”, “fica com outras pessoas”, “conhece alguém novo”.
Mas ninguém entende.
Eu saio. Eu converso. Eu faço amizades. Eu sorrio às vezes.
Mas não é você.
E essa é a porra do problema.
Não é a sua voz. Não é o seu sorriso. Não é o seu jeito de falar comigo. Não são aquelas horas que pareciam não ter fim.
E eu não quero substituir você. Não quero aprender outro jeito, decorar outro sorriso, entender outra pessoa só para tentar preencher um espaço que ainda tem seu nome.
Eu tenho raiva porque você parece estar vivendo enquanto eu mal consigo sair da cama.
E quando eu saio, é porque alguém me puxa, me arrasta pra vida quando tudo que eu queria era ficar quieta com essa saudade.
Eu faço amizade, converso, conheço pessoas, mas não passa disso.
Porque meu coração ainda não abriu a porta.
E talvez o que mais me dê raiva seja admitir que eu não estou pronta.
Não quero outro beijo. Não quero outro abraço. Não quero outra voz.
Eu quero você.
E eu odeio que, mesmo sabendo que talvez você não queira mais voltar, uma parte de mim ainda esteja aqui, esperando.
Esperando por uma explicação. Por um sinal. Por qualquer coisa que prove que tudo aquilo que eu senti não foi só uma coisa que eu inventei sozinha.
Que raiva.
Raiva de você. Raiva de mim. Raiva do tempo. Raiva dessa cama que virou esconderijo. Raiva de todo mundo dizendo que eu preciso seguir, como se seguir em frente fosse simplesmente escolher uma direção.
Eu queria conseguir.
Mas hoje, eu só consigo sentir.
E dói pra caralho sentir tanto por alguém que já parece ter aprendido a viver sem mim.