Eu fico me perguntando se foi uma mensagem. Se foi alguma coisa que eu fiz. Se, em algum momento, eu fui demais. Ou se simplesmente nunca foi sobre mim.
Mas então me diz: como alguém que conhece a minha forma de sentir consegue machucar justamente onde sabe que dói?
Eu nunca deixei ninguém chegar tão perto.
Eu sempre fui aquela que cuidava, que zelava, que orava em silêncio pelas pessoas que amava. Eu queria vê-las bem, queria tê-las por perto, porque confiança, para mim, nunca foi uma palavra pequena.
Eu não entrego fácil. Eu não confio fácil. Eu não abro a porta de mim para qualquer pessoa.
E você entrou.
Eu te contei quem eu era. Te mostrei minhas partes bonitas e também aquelas que eu escondia. E você olhou para tudo isso e disse: “Eu gosto de você assim. Do jeito que você é.”
Então como?
Como alguém pode dizer isso e depois simplesmente ir embora?
O que eu fiz?
Essa é a pergunta que mais me destrói.
Não foi só você ter ido. Foi você ter ido sem me deixar uma resposta.
Porque talvez uma verdade doesse, mas o silêncio deixa mil versões.
E eu fico aqui, tentando descobrir em qual delas eu fui culpada.
Eu queria uma explicação. Não para te fazer voltar. Não para mudar o que aconteceu. Só para conseguir colocar um ponto final numa história que você terminou sem sequer me entregar o último capítulo.
E talvez seja isso que mais me revolta:
eu passei tanto tempo construindo muros para ninguém conseguir me machucar, e quando finalmente deixei alguém entrar, foi justamente essa pessoa que me ensinou por que eu tinha tanto medo de abrir a porta.