Pular para o conteúdo
Carregando…

Eu fico me perguntando

barbiegreen
Pública 6 conversas 13 pensamentos 54 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Eu fico me perguntando se foi uma mensagem. Se foi alguma coisa que eu fiz. Se, em algum momento, eu fui demais. Ou se simplesmente nunca foi sobre mim.

In groups

Pensamento

Pensamento

BrunaSeixas

A estrutura do seu texto é forte. Você repete a pergunta e cada vez fica mais pesada até não ter mais ninguém respondendo.

A estrutura do seu texto é forte. Você repete a pergunta e cada vez fica mais pesada até não ter mais ninguém respondendo.

Conteúdo da publicação

Eu fico me perguntando se foi uma mensagem. Se foi alguma coisa que eu fiz. Se, em algum momento, eu fui demais. Ou se simplesmente nunca foi sobre mim.

Mas então me diz: como alguém que conhece a minha forma de sentir consegue machucar justamente onde sabe que dói?

Eu nunca deixei ninguém chegar tão perto.

Eu sempre fui aquela que cuidava, que zelava, que orava em silêncio pelas pessoas que amava. Eu queria vê-las bem, queria tê-las por perto, porque confiança, para mim, nunca foi uma palavra pequena.

Eu não entrego fácil. Eu não confio fácil. Eu não abro a porta de mim para qualquer pessoa.

E você entrou.

Eu te contei quem eu era. Te mostrei minhas partes bonitas e também aquelas que eu escondia. E você olhou para tudo isso e disse: “Eu gosto de você assim. Do jeito que você é.”

Então como?

Como alguém pode dizer isso e depois simplesmente ir embora?

O que eu fiz?

Essa é a pergunta que mais me destrói.

Não foi só você ter ido. Foi você ter ido sem me deixar uma resposta.

Porque talvez uma verdade doesse, mas o silêncio deixa mil versões.

E eu fico aqui, tentando descobrir em qual delas eu fui culpada.

Eu queria uma explicação. Não para te fazer voltar. Não para mudar o que aconteceu. Só para conseguir colocar um ponto final numa história que você terminou sem sequer me entregar o último capítulo.

E talvez seja isso que mais me revolta:

eu passei tanto tempo construindo muros para ninguém conseguir me machucar, e quando finalmente deixei alguém entrar, foi justamente essa pessoa que me ensinou por que eu tinha tanto medo de abrir a porta.

Thoughts

  • Dudinha

    Ir sem deixar resposta é o que mais dói.

    Permalink
  • BrunaSeixas

    A estrutura do seu texto é forte. Você repete a pergunta e cada vez fica mais pesada até não ter mais ninguém respondendo.

    Permalink
  • Bianquinha

    Quando você diz 'Eu nunca deixei ninguém chegar tão perto' e depois vem aquele alguém. Fica claro no texto como dói.

    Permalink
  • turismoDeQueixa

    Ué.

    Permalink
  • Ovid

    Aquela parte de 'foi você ter ido sem me deixar uma resposta' me fez pensar em quanto a gente precisa de uma explicação, nem que seja para fechar. Tenho visto gente passar anos com essa pergunta aberta. O silêncio é sempre pior do que uma verdade que doe.

    Permalink
  • tchelinho

    Aquela parte de 'o silêncio deixa mil versões' é exato. Ninguém ficou nunca bem sem saber por que.

    Permalink
  • aleroz

    Eu não duvido da sua dor. Talvez seja justamente por acreditar nela que eu não queira transformá-la em um escudo.

    Porque uma ferida pode explicar por que vc sente, mas não explica sozinha o que aconteceu.

    “Vc não sabe como eu me sinto” pode ser verdade. Eu realmente não sei. Mas às vezes usamos aquilo que sentimos para impedir que alguém pergunte por que estamos sangrando. Mostramos a ferida, e a partir daquele momento parece que ninguém mais pode olhar para a causa.

    E não querer olhar para a causa também pode ser uma forma de permanecer dentro da dor. É achar que sofrer mais vai parar a dor, como uma recompensa emocional que será paga pelo acaso do destino.

    Vc pergunta: “O que eu fiz?”

    Talvez tenha feito alguma coisa. Talvez não tenha feito nada. Talvez a resposta esteja em vc, talvez esteja no outro, talvez esteja numa coisa que nunca será explicada. Mas transformar a própria dor em prova de que alguém lhe deve uma resposta também cria uma prisão.

    Você diz que construiu muros para não ser machucada e que, quando abriu a porta, foi justamente essa pessoa que confirmou seu medo. 'Muros altos, se um dia eu quiser ir embora, como eu saio?"

    Mas talvez essa seja outra armadilha.

    Uma pessoa ter entrado e depois ido embora não prova que o muro estava certo.

    Prova apenas que vc abriu uma porta para alguém que, por algum motivo, não ficou.

    A ferida existe. O abandono pode ter existido. A confiança que vc entregou foi real. Nada disso precisa ser diminuído.

    Mas a ferida não pode virar uma identidade, nem uma arma, nem uma dívida que o outro precisa pagar.

    Porque, se vc continuar perguntando “por que fez isso comigo?” apenas para encontrar uma resposta que faça a dor desaparecer, talvez nunca encontre.

    A ferida precisa ser olhada também como ferida.

    Ela sangra porque alguma coisa aconteceu. Não porque vc precisa continuar sangrando para provar que aconteceu.

    O tempo não cura sozinho. O que cura é quando paramos de abrir a ferida para conferir se ela ainda dói.

    E talvez seja por isso que eu pense naquela chave de fenda.

    Uma pessoa te emprestou.

    Vc recebeu algo por um tempo. Usou, gostou, criou apego. Talvez tenha acreditado que era seu. Mas desejo não é contrato. Intimidade não é propriedade. Um momento compartilhado não é uma promessa.

    Quando o dono pede de volta, vc pode sofrer por devolvê-la.

    Mas a dor de devolver não transforma o empréstimo em propriedade.

    E sentir muito por alguém também não transforma essa pessoa em nossa.

    Talvez o ponto final não seja descobrir quem foi o culpado.

    Talvez seja conseguir olhar para a própria ferida sem precisar usá-la como escudo contra qualquer resposta que não seja aquela que gostaríamos de ouvir.

    Parece aquela musica Veronica Sabino - Demais

    Permalink

Related posts