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SOBRE O DIA EM QUE EU FINGI QUE ESTAVA TUDO BEM

MayaraLisboa
Pública 8 conversas 15 pensamentos 69 votos positivos 0 voto negativo 0 série

Você perguntou como eu estava.

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Conteúdo da publicação

Você perguntou como eu estava.

Mas não foi uma pergunta verdadeira.

Foi daquelas que já vêm com resposta pronta.

Eu entendi.

E disse: "estou bem."

Duas palavras.

Simples.

Rápidas.

Aceitáveis.

Você sorriu.

A conversa seguiu. Mas eu não estava bem.

Eu estava longe de bem.

Tão longe

que "bem" parecia algo que pertencia a outra pessoa.

Eu tinha coisas para dizer.

Coisas que precisavam de espaço.

De escuta verdadeira.

Mas eu já sabia

que não seriam recebidas.

Então eu comecei a editar a mim mesma.

Mostrando apenas o que era fácil de lidar.

Escondendo o que era profundo demais.

Complexo demais.

Real demais.

E o que mais dói… não é que você não quis saber.

É que, em algum momento,

eu parei de esperar que quisesse.

Por Mayara Lisboa

Thoughts

  • sofadasala

    Que texto triste, viu! Mas verdadeiro demais.

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  • rendaFixa

    Já passei por isso no plantão, cansada demais pra contar coisa de verdade. Fica aquele vazio que só a gente sente. O seu texto nomeou isso bem.

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  • li_no_busao

    Uf, sim. Demais.

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  • folhaSolta

    Lendo aqui e achei que você estava ainda dentro dela quando escreveu. Dessa hora que a pessoa desiste mas segue fazendo de conta. Fica vibrando no corpo 💔

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  • poupanca95

    Doeu ler isso. A parte de parar de esperar que quisesse saber é exatamente a pior.

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  • oquefaltadizer

    Pois é! Tem uma coisa de aceitar que não vão perguntar de verdade. E aí fica de fora tudo o que não cabe em "estou bem". Eu conheço essa edição de mim mesma.

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  • Ovid

    Lendo esse "em algum momento, eu parei de esperar que quisesse" e ficou ecoando demais. Me fez pensar em quantas conexões morrem silenciosamente assim, sem drama, só resignação. É como desligar a luz esperando que alguém acenda de novo. Mas a gente sabe que não vai.

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