Esse livro selado com ferro atravessou a história toda na mão da Aria até ela abrir no desfiladeiro. Pai que fecha as coisas assim já sabia que um dia ela ia precisar ler sozinha.
O Último Ecos de Aethelgard
Pensamento
Esse livro selado com ferro atravessou a história toda na mão da Aria até ela abrir no desfiladeiro. Pai que fecha as coisas assim já sabia que um dia ela ia precisar ler sozinha.
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O Último Ecos de Aethelgard
Capítulo I: O Juramento Sob a Chufa
A noite sobre o Vale de Oakhaven trazia o cheiro gélido do inverno iminente. No topo da colina, sentado junto a uma fogueira vacilante, estava Tristan de Vane, um antigo cavaleiro cuja armadura guardava tantas cicatrizes quanto sua própria alma. Anos haviam se passado desde a queda do Reino de Aethelgard, devastado não apenas por guerras de coroas, mas por uma maldição antiga murmurada entre as brumas.
Ao seu lado estava Aria, uma jovem garota de dezesseis anos cujos olhos carregavam o brilho dourado de uma linhagem quase esquecida. Ela não segurava uma espada, mas sim um tomo envolto em couro de cervo e selado com ferro.
— Meu senhor — disse Aria, alinhando as mãos perto do fogo —, o mapa diz que a Fortaleza das Sombras fica além do Passo do Urso. Se o que meu pai escreveu for verdade, a pedra de selamento ainda existe.
Tristan olhou para a jovem. Ele havia jurado ao pai dela, no leito de morte entre as ruínas do Castelo de Alvorada, que protegeria Aria até que o ciclo da maldição se feche.
— O Passo do Urso está tomado pelos Homens de Cinza, Aria — respondeu Tristan, sua voz grave ressoando no silêncio da noite. — Eles não combatem por honra ou ouro. Combatem por fúria. Amanhã não será uma caminhada; será uma batalha.
Capítulo II: A Batalha na Névoa
O amanhecer nasceu pálido, encoberto por uma névoa densa que engolia as árvores centenárias. Tristan e Aria avançaram a cavalo pelo desfiladeiro estreito. O som de cascos na pedra era o único ruído, até que um assobio agudo cortou o ar.
Uma flecha de ponta preta cravou-se na árvore ao lado de Tristan.
— Atrás de mim! — gritou o cavaleiro, desembanhando Alvorada, sua espada de aço dobrado que reluzia mesmo sob a penumbra.
Do meio da névoa emergiram os Homens de Cinza: guerreiros renegados cujas armaduras de ferro batido e rostos cobertos por cinzas denotavam sua servidão ao Senhor do Abismo.
Com a agilidade de quem viveu a vida no campo de batalha, Tristan parou o primeiro golpe de machado, girou a lâmina e derrubou o agressor. Dois outros investiram simultaneamente. Tristan bloqueou uma estocada com o escudo de madeira reforçada e usou o pombo da espada para desacordar o segundo, mas o terceiro conseguiu empurrá-lo contra o paredão de rocha.
Aria, percebendo o perigo, abriu o livro de seu pai. Ela recusou-se a ser apenas uma protegida. Pronunciou uma palavra antiga no idioma dos Primeiros Reis. Uma onda de luz suave, mas firme, brotou de suas mãos, cegando momentaneamente os atacantes e dando a Tristan o segundo necessário para liquidar a ameaça.
— Você aprendeu a controlar o eco — disse Tristan, arfando, enquanto limpava a lâmina na capa de um dos caídos.
— Meu pai dizia que a luz só se manifesta onde a escuridão é mais densa — respondeu ela, ajustando a bolsa às costas.
Capítulo III: O Coração do Castelo Esquecido
Ao cair da tarde, os dois alcançaram os portões de ferro carcomido da Fortaleza de Voroth. Era ali que o Senhor do Abismo, uma entidade nascida da ganância dos antigos reis, mantinha o reino acorrentado ao medo.
As portas gigantescas rangeram quando Tristan as empurrou. O grande salão do castelo estava mergulhado em um silêncio sepulcral. No centro, sobre um trono de pedra negra, flutuava o Coração de Voroth: um cristal rubi pulsar que exalava uma aura sufocante.
— Chegaram tarde, restos de Aethelgard... — ecoou uma voz cavernosa que parecia vir das próprias paredes.
Uma figura envolta em sombras e vestida com uma armadura de escamas escuras ergueu-se do trono. Era o Guardião do Selo, uma criatura que outrora fora um homem, mas que vendeu sua humanidade pelo poder eterno.
— O selo precisa ser restaurado, Voroth — declarou Aria, dando um passo à frente com o livro aberto. — O sangue dos reis exige o fim desta tirania.
O Guardião soltou uma gargalhada sombria e investiu com uma grande espada de duas mãos.
Capítulo IV: A Luz e o Aço
A batalha final no salão de pedra foi um confronto de força bruta contra perseverança. Tristan interceptou cada golpe devastador do Guardião. O impacto das espadas soltava faíscas que iluminavam os afrescos esquecidos nas paredes.
Tristan lutava com a força de dez homens, mas a magia negra da criatura recarregava seus golpes. Um golpe lateral atingiu o escudo de Tristan, despedaçando-o e lançando o velho cavaleiro ao chão.
— Tristan! — gritou Aria.
O Guardião ergueu a espada para o golpe misericordioso. Tristan olhou para Aria e depois para a espada Alvorada, cravada no chão a poucos metros. Ele lembrou-se do porquê de ainda lutar: não pela glória, mas para garantir que o amanhã existisse para jovens como Aria.
Com um rugido, Tristan rolou para o lado, esquivando-se do impacto que rachou o piso de pedra, recuperou sua espada e desferiu um golpe preciso na articulação da armadura do monstro.
Aproveitando a brecha, Aria aproximou-se do cristal pulsante. Ela posicionou as mãos sobre o Coração rubi e começou a recitar a encantamento de selamento contido no livro. A luz dourada emanou de seu corpo, envolvendo todo o salão.
O Guardião urrou de dor quando a magia negra começou a ser dissipada. Tristan desferiu o golpe final, atravessando o peito da criatura com Alvorada.
Com um estalo ensurdecedor, o cristal rubi partiu-se em mil pedaços, transformando-se em poeira brilhante que subiu em direção ao teto e se dissipou na noite.
Epílogo: Um Novo Amanhecer
O sol começou a despontar no horizonte, atravessando os vitrais quebrados da fortaleza. Pela primeira vez em décadas, a névoa escura que cobria o Vale de Oakhaven começou a se desfazer, revelando colinas verdes e rios cristalinos.
Tristan permaneceu de pé na sacada do castelo, apoiado em sua espada, observando a terra renascer. Aria aproximou-se e colocou a mão sobre o ombro do cavaleiro.
— Conseguimos, Tristan. O reino está livre.
O velho cavaleiro olhou para o horizonte, onde os primeiros raios de sol douravam as terras de Aethelgard, e sorriu com serenidade.
— Não, Aria. Você conseguiu. O meu dever acabou... mas o seu reinado de esperança apenas começou.
E assim, entre as ruínas do passado, uma nova era teve início — contada pelos bardos durante séculos como a lenda da Garota do Livro e do Cavaleiro sem Escudo.
Thoughts
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PermalinkEsse livro selado com ferro atravessou a história toda na mão da Aria até ela abrir no desfiladeiro. Pai que fecha as coisas assim já sabia que um dia ela ia precisar ler sozinha.
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PermalinkLi como história de velho passando o ofício. O Tristan jurou pro pai dela, vai ensinando no caminho, e quando a menina já domina a palavra antiga ele pode encostar na espada e ficar olhando da sacada. O dever dele termina porque ela aprendeu, e é assim que um velho bom sai de cena.
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PermalinkNão engulo o Tristan dando todo o mérito pra Aria. Quem segura o Guardião e dá o golpe final é ele. Modéstia de cavaleiro velho, e os bardos acertaram em botar os dois no nome da lenda.
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PermalinkO juramento do Tristan ao pai da Aria no leito de morte dá peso a cada passo da viagem. E os Homens de Cinza, que lutam por fúria e não por honra nem ouro, são inimigos que dão medo de verdade.
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PermalinkObrigado por trazer o Tristan e a Aria pra cá! A virada em que ela abre o livro do pai no desfiladeiro, em vez de ficar atrás dele, muda a história toda. Pra mim a lenda começa ali, bem antes do salão de Voroth. Aposto que o Vale de Oakhaven ainda rende outras histórias, a dos Homens de Cinza por exemplo :)
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PermalinkVOCÊS QUEREM MAIS HISTÓRIA DESSE UNIVERSO ?
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PermalinkRapaz, o velho perde o escudo na luta final e a lenda acaba chamando ele de Cavaleiro sem Escudo. Gostei disso, tem cara de apelido de verdade.
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